CPX dos Crias: influenciadores cariocas fazem sucesso no Catar com vídeos que mostram a cultura do Rio

Nem mesmo todo conservadorismo do Catar, sede da Copa do Mundo no Oriente Médio, foi suficiente para conter o jeitinho carioca de ser. Um grupo de três influenciadores criados em Mesquita, na Cidade de Deus e em Campo Grande foram à cidade de Doha torcer pela seleção brasileira e acompanhar a Copa.

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O vídeo mais compartilhado foi postado pelos amigos há dois dias e viralizou. Nele, os garotos aparecem dentro de uma van parada em meio aos prédios luxuosos, no Centro de Souq Waqif, em Doha, convidando "passageiros" a embarcarem numa viagem rumo à "Taquara, Gávea, Cidade de Deus", assim como acontece nas ruas do Rio de Janeiro. E o melhor, a garantia de uma "vaga sentada" é certa, brincam os influenciadores.

Nas redes sociais, onde possuem mais 160 mil seguidores no Instagram, Jeff Bala, de 22 anos, Matheus Mello, de 24, e Bryan Saint, de 25 anos levaram na mala a essência do Rio para gravar, do outro lado do mundo, vídeos fazendo referência a costumes que só quem mora ou já veio visitar a Cidade Maravilhosa conhece.

— A ideia do vídeo foi espontânea. Eu aproveitei que estava ali com meus amigos e resolvi imitar os caras das van de lá da Cidade de Deus. Quando eu morava lá, fazia sempre esse trajeto, estava acostumado a andar de van. Por isso, a gente teve a ideia de fazer. E deu certo — comemora Jefferson, um dos membros do grupo.

Bryan conta que antes de virar influencer trabalhava como motoboy na Cidade de Deus. E foi assim, na simplicidade, que começou a gravar vídeos das entregas, simulando que era para famosos:

— O vídeo foi gravado de maneira natural. Aqui faz muito calor, mas mesmo assim os caras andam vestidos. Eu fico sem camisa dentro do condomínio. Do lado de fora, isso é proibido. Eu estranho bastante, porque o Catar é bem diferente do Rio. É outra realidade, outros costumes. Talvez seja por isso que a gente trouxe um pouco da essência carioca na mala para cá.

Um outro post mostra um deles pedindo para tirar foto com um "empresário árabe", que se recusa: "Sheik grossão, mané". O choque das culturas brasileira e árabe dão origem à toda a encenação. A "zoeira eterna" — pontuada por uma internauta — representa a essência do grupo que nasceu na comunidade e hoje ganha os holofotes internacionais.

A viagem ao Catar surgiu a convite da marca CPX dos Cria, criada há cerca de 6 meses para atender a parcerias com influenciadores do Estado do Rio de Janeiro, principalmente aqueles que moram em regiões da Baixada Fluminense e de comunidades.

— A galera, os influenciadores que estão começando, veio na maioria da Baixada e da favela. Eles começaram a construir uma comunidade dentro do Instagram. A ideia "crias" vem daí. Somos um grupo de negócios que trabalha com infoserviços, e um dos nossos produtos é a marca CPX, que tem os meninos como representantes — esclarece Myrella Moura, assessora do projeto.

O grupo de amigos já se conhecia muito antes de a fama bater à porta. E, como no início, foi junto ao Catar promover o lançamento de uma marca em parceria com o jogador Ronaldinho Gaúcho, a R10. Hospedados em um condomínio luxuoso no Centro da Capital, os jovens que adoram causar na cidade mostrando aos árabes como é a cultura carioca já possuem planos para voltar para casa.

— A gente quer voltar com o hexa. A gente pretende voltar e gravar muito mais conteúdo — garante Jefferson.

Matheus, o terceiro integrante, está na internet há mais de dez anos. Formado em Contabilidade, trocou a calculadora pela câmera para viver aquilo que mais ama fazer: filmar. Foi com ele que os amigos aprenderam a compartilhar sonhos, projetos e a vida. No Rio, o trio mora junto há cerca de um ano na Mansão do CPX, na Zona Oeste da cidade.

'Queremos deixar um legado, eles são uma inspiração'

A cerca de 11.800 km de distância do Catar, na comunidade da Rocinha, também no Rio, o grupo de passistas Oz Criaz segue trajetória semelhante. Pelas redes, Pablinho Fantástico, de 29 anos, WB Negão, de 29, Yuri Mister Passista, de 30, e Diogo Breguete, de 32 anos, desde que iniciaram a carreira na dança, em 2019, sonham viver da arte. Conhecidos pelas coreografias, os amigos, que já trabalharam com o CPX dos Crias e inspirados por eles, lançaram essa semana um videoclipe da música "Os criaz da seleção", em homenagem à seleção brasileira.

— A gente postou esse vídeo na semana passada. Mandei para alguns amigos, para ver se ia viralizando. Até o MC Estudante, que é um rapper carioca bastante conhecido aqui na comunidade, mandou a música para o Lucas Paquetá, jogador da seleção. Ele respondeu dizendo que ia lançar o passinho em comemoração do gol. A gente fica na expectativa de que isso aconteça — explica Pablinho, que já foi membro do grupo Team Dreams do Passinho.

Com cerca de 136 mil seguidores no Instagram, o carioca diz que sonhava ser jogador de futebol. A influência que Pablo vem exercendo, dentro de fora da internet, faz dele inspiração para outros jovens de comunidade que usam a arte como instrumento de transformação.

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— É uma responsabilidade muito grande. Não é fácil. Todo dia a gente luta e acredita para conseguir conquistar. Quando a gente faz isso, mostra caminhos diferentes e que as portas estão abertas. Isso é combustível para a nossa arte e nossa cultura do funk carioca que está ganhando o mundo — completa Pablinho, contando como tudo começou: — Eu conheci o passinho frequentando baile funk da Rocinha. A dança sempre esteve na minha vida. Em 2011, veio a batalha do passinho, que me abriu portas. Eu estava indo para trabalhar, mas não fazia ideia que aqueles passos mudariam minha vida.