Crédito para micro e pequenas empresas: veja onde conseguir empréstimo

Patricia Valle e Stephanie Tondo
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O ano foi desafiador para os micro e pequenos empresários, muitos tiveram dificuldade de acesso a crédito para manter a operação funcionando. Mas, neste fim de ano, o mercado de crédito está sendo retomado e empresas estão tomando recursos para pagar contas e para investir no negócio. O EXTRA apurou no mercado e mostra as principais linhas de crédito disponíveis para micro e pequenos empresários subsidiadas pelo governo e, também, pelos grandes bancos e fintechs.

O governo federal liberou recursos para ajudar as pequenas empresas na crise. Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) teve duas fases em que foram realizadas 475.873 operações de crédito, totalizando R$ 32,8 bilhões em liberações, segundo o Ministério da Economia. Com a demanda ainda alta pelos recursos, o Senado Federal aprovou a terceira fase do Programa na última quarta-feira, no entanto, o texto ainda precisa ser aprovado pela Câmara dos Deputados.

Outras linhas foram disponibilizadas, como a do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac), que está sendo distribuída por bancos e fintechs, mas não o suficiente para absorver toda a demanda. No entanto, no mercado privado há grande oferta de crédito, principalmente por bancos digitais e fintechs.

— O governo fez uma série de medidas muito bem vindas, mas não é o suficiente. A boa notícia é que há hoje condições muito vantajosas para o pequeno empresário que deseja crédito. Os bancões botam o pé no freio para emprestar devido ao risco, mas hoje o mercado é mais amplo e o consumidor está vendo. É preciso pesquisar — afirma Rafael Pereira, presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD).

As empresas de crédito digital estão vendo a procura aumentar neste fim de ano, tanto por empresários que querem pagar as contas como para investimentos, mostrando uma retomada de alguns setores da economia e oportunidades que apareceram.

— Teve uma grande procura por crédito em abril, no auge da pandemia, por questões emergenciais. Agora estamos vendo as coisas retomarem. Ainda tem empresas precisando de caixa para se manter, mas também vemos o habitual do fim do ano para pagar 13º e compras de estoque para o Natal. Vemos também empresas que estão investindo para crescer — afirma Daniel Gomes, presidente e cofundador da Nexoos.

Um dos clientes foi o Thoran Rodrigues, presidente da BigDataCorp, empresa de tecnologia que trabalha com captura de informação na internet:

— Vimos que precisávamos investir em alguns serviços para aproveitar as oportunidades que apareceram. No início foi difícil conseguir boas condições porque não tínhamos as garantias que queriam, mas continuamos as buscas e achamos alternativas. Foi importante e já vemos resultamos.

Especialistas apontam que antes de contrair um empréstimo, o empresário precisa avaliar se realmente é necessário dado ao ambiente ainda de incerteza na economia.

— Se for para pagar 13º salário, por exemplo, é uma obrigação. Mas no caso do empréstimo para fazer estoque para o Natal, é preciso ser conservador. Neste ano, ser muito otimista é um risco, se o empresário não tem fluxo de caixa para isso. É melhor ganhar menos e garantir que vai cumprir suas obrigações financeiras do que pensar em ganhar mais, mas o mercado não reagir de forma tão otimista, e ficar com a mercadoria encalhada e ainda pagando juros — afirma Coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV, Ricardo Teixeira .

Já Filipe Pires, professor de Finanças do Ibmec RJ, recomenda planejamento para evitar que a tomada de crédito vire um problema no fluxo de caixa da empresa. Entre os cuidados que o empreendedor deve ter estão se certificar de que a instituição é credenciadas ao Banco Central e desconfiar de ofertas de dinheiro fácil:

— Muitas dessas facilitadoras acabam gerando mais custo operacional. E aí se o ganho não for na taxa de juros, será no chamado custo efetivo total da transação, que pesa no bolso do empreendedor. É importante comparar as taxas.

A crise pegou todos de surpresa, mas quem estava organizado está conseguindo atravessar melhor a tempestade. A cooperativa de crédito Sicoob está com uma parceria com o SEBRAE para levar educação financeira para os empreendedores. Nábia Jorge, diretora executiva do Sicoob Central Rio conta que muitos problemas são por falta de gestão.

— É preciso ter uma boa gestão financeira do negócio. Entender o quanto que entra e sai da empresa, separar o recurso da empresa do recurso próprio. Ter caixa. Quem passou melhor pela crise é quem tinha reserva de emergência. E nesse momento, é preciso entender o mercado que está e para onde ele vai. quem não se atualizar vai ficar para trás.

Segundo ela, quem investiu na direção certa está tendo o retorno agora.

—Quem converteu para os canais digitais vai conseguir números melhores. Temos expectativas de um bom final de ano no ecommerce.

A cooperativa está dando uma linha de crédito emergencial de capital de giro para quem é cliente SEBRAE com taxas a partir de 0,89% ao mês em até 60 parcelas e carência de até 120 dias.

O programa de microcrédito da Agência Estadual de Fomento (AgeRio) passou a ser operacionalizado, durante a pandemia, com recursos do Fundo Estadual de Microcrédito Produtivo Orientado (Fempo), o que possibilitou melhores condições de crédito. A linha oferece empréstimos entre R$ 500 e R$ 21 mil, com taxas a partir de 0,25% ao mês, para pagamento em até 24 meses. É preciso ter fiador com renda comprovada, podendo ser um parente ou cônjuge. E ambos precisam ter o nome limpo.

Para pequenas e médias empresas, a AgeRio oferece o Fungetur, voltado neste momento para empreendimentos do setor do Turismo. Os créditos são entre R$ 21 mil e R$ 30 milhões, com taxa de juros a partir de 0,41% ao mês, mais inflação (INPC).

Já no BNDES, uma das principais linhas para os microempreendedores é a Peac Maquininhas, garantida com vendas futuras realizadas por meio de maquininhas de cartão. O empréstimo é limitado a R$ 50 mil. A lista das instituições financeiras habilitadas está disponível no site do BNDES.

Outra opção é a linha capital de giro para micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais (MEIs), em parceria da Caixa com o Sebrae. Todo o crédito será assistido pelo Sebrae em todas as etapas desde a liberação até a liquidação.