Crítica: 'Babilônia', de Damien Chazelle, é uma crônica de excessos

Pode soar boa a ideia de contar uma história sobre excessos no cinema abusando justamente dos excessos no cinema. “Babilônia” apostou fundo nisso. Ele tem mais de três horas de duração, muitas cores e músicas, planos cheios de gente lindamente coreografada e uma criatividade grande em criar figuras excêntricas.

É aí, então, que a gente entende a distância entre ideia e execução. Dirigido por Damien Chazelle, “Babilônia” se apega tanto a seus exageros e referências ao passado, que a gente só repara mesmo na carcaça. Claro que é divertido ver festas doidas com Brad Pitt e Margot Robbie. Mas é só isso que vale nosso tempo?

Por baixo dessas camadas todas de estilo, “Babilônia” tenta falar do sonho de Hollywood. O filme é uma crônica do cinema americano entre as décadas de 1920 e 1930, um período notabilizado pelos seus exageros — festas, drogas, sexo e glamour à vontade — e por representar a passagem entre o cinema mudo e o falado.

A história é narrada a partir do ponto de vista de Manny Torres (Diego Calva), um mexicano que trabalha como assistente de um estúdio em Los Angeles. A primeira tarefa de Manny mostrada em “Babilônia” é levar um elefante para uma orgia estilosa na mansão de um produtor. Em outro momento, precisa pedir a um talentoso músico negro que use uma maquiagem “blackface” porque ele não estaria suficientemente negro para a câmera.

Mas Manny faz tudo isso pelo sonho mágico de Hollywood. É um sentimento similar ao do baterista de jazz (“Whiplash”), do astronauta (“O primeiro homem”), do pianista e da atriz (“La la land”): os filmes de Damien Chazelle abordam esses sonhos que se transformam em desejos e que acabam virando obsessões. Pena que, no caso de “Babilônia”, a gente precise cavar fundo demais para encontrar as boas intenções do diretor.