Crítica: 'A brigada da chefe' esbanja simpáticos clichês

O período que envolve festejos de Natal e Ano Novo é apropriado para o lançamento de filmes que possuam o tal “espírito natalino”, ou seja, que tragam mensagens positivas de amor ao próximo, solidariedade, empatia. Público e crítica podem estar mais tolerantes nessa época, e por conta disso acabam relevando certa falta de qualidade cinematográfica de alguns filmes.

É o caso deste “A brigada da chefe”, que esbanja simpatia, boas intenções e clichês em mais uma variação do subgênero “ao mestre, com carinho”, aquele tipo de filme que você já viu mil vezes, em que um professor tem que superar obstáculos para conquistar a confiança da turma. A diferença é que não estamos em sala de aula, mas sim na cozinha de um instituto francês que acolhe jovens imigrantes ilegais até eles completarem 18 anos. A “professora” é Cathy Marie (Audrey Lamy), ex-subchefe de um restaurante estrelado, que topa a missão de cozinhar para os internos.

Movida por necessidade financeira mas sobretudo por altruísmo (afinal, também foi criada em orfanato), ela mostra que é possível imprimir uma certa sofisticação ao cardápio do refeitório local, contando com a adesão de jovens que deixam de lado qualquer resquício de rebeldia ao serem conquistados pelos ensinamentos culinários. A caminho do tradicional clímax edificante visando as lágrimas do espectador, o filme abre espaço para um momento de crítica social bastante realista sobre o tratamento por vezes desumano que o governo francês destina a esses jovens cheios de sonhos, e talvez aí resida o caminho para o Bonequinho olhar atentamente e refletir.