Crítica: 'Como agradar uma mulher' oferece manual empresarial-sexual para aliviar frustrações femininas

Mulheres têm enfrentado longo percurso para abandonar o status de ‘objeto sexual’, à mercê da supremacia masculina. A essa altura do século XXI, em boa parte dos países ocidentais, parece mais fácil ser bem-sucedida profissionalmente do que sexualmente — no casamento ou outras combinações. Alguns filmes, no entanto, mostram mudanças à vista. Foi assim com “Boa sorte, Leo Grande”, no qual mulher vivida mas virgem de orgasmo contrata um garoto de programa. A premissa ganha reforço na produção australiana “Como agradar uma mulher”, dirigida por Renée Webster, que oferece, digamos, manual empresarial-sexual de como aliviar as frustrações femininas. A proposta começa com o básico: primeiro, o homem — jovem, boa aparência, gentil —limpa a casa. Sim — não há prazer maior do que se livrar das tarefas domésticas. Depois, o que a mulher desejar. Parágrafo único: quem escolhe é a freguesa. Tudo deve ser como, quando e do jeito que ela quiser.

Nas mãos ou cabeça de um realizador mais ousado ou irreverente, a trama poderia render uma sátira consistente. Mas em seu primeiro longa, Renée pega leve, e aborda com humor a crônica dor de cabeça do “esposo” e outras desculpas que “eles’ usam para fugir dos “deveres” conjugais. A mudança de jogo é capitaneada por uma recém-demitida, interpretada por Sally Phlilips (Bridget Jones, em duas versões). Sob sua supervisão, tudo é fofo, ameno, gentil. Fotografia, ritmo, interpretações, montagem, trilha musical somam-se em clima de sessão da tarde. Nada de constrangimentos, apenas pequenas ousadias que podem levar longe, como as braçadas da turma feminina em águas de mar deslumbrante.