Crítica: Crypto Kitchen (3 garfinhos: bom)

A cozinha do Rafa Costa e Silva está quase toda ali e com preços bem menores, mas não é filial, pop up ou festival. A história não é bem assim: o novo espaço não se chama Lasai, não tem a infra e a estética do concorrido restaurante do Largo dos Leões. Atende pelo nome e diz a que veio: Crypto Kitchen, um café instalado nas dependência de uma empresa do ramo de criptomoedas e que tais, segmentos difíceis de entender e digerir, mas funcionando em um mega espaço de muitos metros quadrados, salinhas, salões de temática que não domino nada. A parte que me toca, a “kitchen”, está logo na linha de frente, montada de cara para a Avenida Ataulfo de Paiva.

É um salão comprido, projeto da arquiteta Bel Lobo, que me fez sentir em um daqueles cafés de aeroporto com os painéis atualizando as partidas e chegadas dos voos. Na realidade, trazem informações sobre ativos digitais, NFTs, e esse admirável mundo novo. Abstraindo-se do ambiente e siglas, come-se muito bem ali.

Tocado por dois nomes experientes da restauração carioca, Rafa Costa e Silva e Fernando Kaplan, do Venga, o café ainda contou com o auxílio da Cris “Bazzar” Beltrão. O staff é bem familiar, todos egressos do Bazzar, que, pena, fechou recentemente. Um espaço novo nas mãos desse trio diminui bastante as margem de erros.

Rafa pensou num menu all day, ou seja, com opções de pratos que podem ser consumidos a qualquer hora do dia e da noite. Bacana contar com alguns hits do Lasai na roda, como uma espetacular versão de ovo perfeito, com a gema ao centro e uma clara fake de inhame com coco e cubinhos micros de embutidos crocantes que fazem ploft na boca, que salivei agora escrevendo (R$ 38). O sanduíche no pão de brioche fininho com recheio farto de steak tartare é de comer muitos (R$ 48), como a abóbora assada horas (parece um creme, de casca caramelada), queijo boursin, mel e folhas de rúculas (R$ 48).

Todos chegam lindos, com crocante de arroz que às vezes lembram uma flor, como o que acompanhou o carpaccio de vieira com gengibre, rabanete, limão e coentro, dos melhores da noite (R$ 79). Tem ainda o tartare de atum com abacate e amendoim e o siri crocante, o mais fraquinho, uma versão de rolinho primavera com massa caseira (R$ 58).O burguer é de wagyu (R$ 58) e serve pratos como bife de ancho com arroz cremoso (R$ 110). Entre os doces, a rabanada do Rafa (R$ 32), o bolo de beterraba (R$ 38) e o choux de café, chocolate e sorvete de coco (R$ 38). Bons vinhos em taça. Só cuidado para não passar do ponto e acabar comprando um NFT. Olha o perigo...

Av. Ataulfo de Paiva 1120, Leblon — (21) 96620-0016. Seg a sáb, do meio-dia às 23h. Dom, do meio-dia às 17h.