Crítica: Kitchin, nem de menos

Contei 30 funcionários batendo cabeça pelo espaçoso Kitchin, japonês paulistano que abriu sua primeira filial no Rio, no térreo do Shopping Leblon, onde já esteve outro conterrâneo, o Gero Caffè. Soube depois que o staf é ainda maior. Que bom, festejo equipes robustas, sinal de geração de empregos por aqui, o que é sempre bem-vindo. Mas é preciso que elas estejam afinadas e afiadas. Fundamental.

A fila não anda, por exemplo. Foram horas de espera de olho nas mensagens no celular (ô, chatice). Ok, é novidade, está concorrido, entendo bem. Mas, duas horas depois, quando, enfim, conseguimos um lugar, nos deparamos com o balcão dali vazio e muitas mesas disponíveis. “Nosso sistema está dando bug”, se desculpou a atendente, gentil. Famintas, ainda esperamos mais uma hora até que o primeiro dos pratos chegasse. Outro bug foi dose.

O Kitchin chega aqui com boas referências, casas bem-sucedidas em São Paulo, perfil de japa clássico, sem maiores pretensões gastronômicas. No cardápio, o mesmo de sempre — sushis, sashimis, combinados, tempuras, yakisobas — e “clássicos” da casa, que foram nossa escolha. Não são muitos. Pedimos o jyo spicy tuna (R$ 30) e o jyo centolla sícy (R$ 64), os enroladinhos em dupla. Eram gostosos, funcionaram bem (como não funcionariam com o grau de fome em que nos encontrávamos?).

Os preços são razoáveis: um combinado de 30 peças sai por R$ 198, e a seleção sushi Kitchin, com oito unidades, custa R$ 185. Chegam bonitos, em cerâmicas caprichadas e com peixes frescos em cortes bacanas. Meia dúzia de tempura de camarão graúdo sai por R$ 120. E é bom.

Como o espaço é no vão central do shopping, o barulho se concentra ali. Inevitável. O projeto é até feliz, umas “cabanas”para sugerir privacidade. Tentativa louvável, mas complicada diante das escadas rolantes ladeando a área. Passei todo o tempo vendo o sobe e desce dos ensacolados.

Os começos costumam ser complicados, por isso mesmo é preciso se esmerar muito para chegar direito. Lembro do Rogério Fasano levando todos os profissionais selecionados no Rio para treinar em São Paulo. Passaram meses na matriz . Quando o Gero abriu, a esquipe estava tinindo. E fez diferença. É aquela máxima batida de que a primeira impressão é a que fica. Fica, sim.

O Kitchin é mais um japa correto pelo meio do caminho. No caso, de um shopping. Se não surpreende, também não desaponta. O que, convenhamos, é uma boa equação.

Cotação: Razoável.

Serviço:

Kitchin: Shopping Leblon, térreo. Av. Afrânio de melo Franco 290, Leblon (3190-7166). Seg a sex e dom, das 12h às 16h e das 18h às 23h. Sáb, das 12h às 16h e das 18h à meia-noite.