Crítica: Pope (3 garfinhos)

Pope vem de Papa, brincadeira dos sócios (da turma do Quartinho, Chanchada, Nosso...) ao nomear o espaço que abriram em uma boa esquina de Ipanema, com direito à brisa do mar, mesas na calçada, varanda com teto retrátil e décor descolado.

No salão, de cozinha aberta e forno à lenha (a aposta dali), há quadros, sofá, poltronas, algumas peças sacras e os banheiros, feminino e masculino (porque entrei errado) lembram confessionários, irreverência fina e divertida.

No quesito preço, não esperem milagres com essa inflação correndo solta: as cifras do Pope não são santas não...

O cardápio é enxuto e descomplicado, o que já vale um brinde. Quase tudo passa pela lenha, caso do “panuozzo”, o trio de pãezinhos cobertos com crudo de atum; com stracciatella (búfala desfiada) e grana padano e o de berinjela fumê (R$ 52). E os “arancini”, bolinhos de risoto com açafrão, chèvre e outro com creme de balsâmico (R$ 36).

De principal, ravióli de abóbora e queijo de cabra na manteiga de sálvia, grana padano e nuts na brasa (R$ 68); tornedor com nhoque frito e molho cacio pepe (R$ 98) e a couve-flor, coisa rara de ver em cardápios cariocas (lembro só da Roberta Sudbrack e no Clan), servida coberta pela fonduta espessa de grana padano gratinada (R$ 48). Perfeito? Quase.

É que algo aconteceu no curto trajeto entre a cozinha e mesa, porque nada chegou pelando, fumegante, esfumaçante. Devia, queria, esperava...

Na rodada final, pera assada na lenha, com “crumble” de nuts, sorvete de leite de ovelha da casa (tarde ganha) e caramelo toffee (R$ 22) e mais o mix de “cannolli”, avelâ, de choco e pistache (R$ 32).

A carta de vinhos é boa (da Laís Oaki, do Oteque), tem até um capitulo só de “laranjas” e há mais de 30 coquetéis em cartaz (eles são bons nisso). Tem serviço afável; a trilha é de sair dançando pelo salão e, na hora da conta, outra sacada divina: o saquinho de veludo, como de doações nas missas.

O nome Pope sugere ainda uma simpática alusão a esses tempos abençoados de retomada da gastronomia carioca que, de tão animador que andam, trouxeram até os garfinhos de volta. Nesse espaço lindo e domingo santo. Amém, Pope, o do Vaticano.

Rua Joana Angélica 47, Ipanema. Ter à qui, de 18h à meia-noite; sex, de 18h à 1h; sábado, de meio-dia à 1h; dom, de meio-dia à meia-noite.

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