Crítica: Protagonista de 'Terrifier 2' se entrega à perversidades nas chacinas de suas vítimas

Quando o jovem diretor Damien Leone resolveu transformar seu premiado curta “Terrifier” (2011) no longa de baixíssimo orçamento “Aterrorizante”, em 2016, ele não podia imaginar que o filme causaria furor nos festivais de terror. O sucesso colocou o projeto no radar das produtoras do gênero, que pediram a Damien uma segunda parte, com mais dinheiro investido do que no primeiro capítulo. “Terrifier 2” é o resultado dessa parceria, que expande a trama, mas mantendo a marca da extrema violência gráfica.

A história, também escrita por Damien, começa no ponto em que terminou o primeiro filme, e mostra o serial killer Art, o palhaço, sendo ressuscitado por uma entidade. Art retorna à cidade de Miles County tendo como alvo uma adolescente e seu irmão mais novo, na noite de Halloween.

“Terrifier 2” é um slasher que tem como característica assassinatos brutais cometidos de tudo que é jeito, com qualquer objeto podendo se transformar numa arma em potencial. Damien segue o estilo “torture porn” (tortura pornô) para chocar nas mortes. E o personagem Art se entrega à perversidades nas chacinas de suas vítimas.

Mas vale dizer que toda essa selvageria explícita está em função de uma história que faz um comentário interessante sobre as relações familiares. E, ao mesmo tempo, Damien entrega um filme mais robusto dramaturgicamente, com pitadas psicológicas e sequências de sonhos, particularmente no sobrenatural.

Apesar de mais de duas horas de duração, algo bem improvável para um slasher, a narrativa flui. No terceiro ato, Damien exagera um pouco no caminho sobre-humano que resolve dar à trama, talvez pensando num provável terceiro capítulo, mas nada que atrapalhe a experiência assustadora do palhaço homicida Art.