Crítica: Térèze (4 garfinhos/muito bom)

Guardo passagens memoráveis no Térèze, restaurante do Hotel Santa Teresa, como o dia em que a cantora Amy Winehouse esteve hospedada ali e eu era a única jornalista nas dependências do hotel. Não por ela, mas porque fui provar da cozinha do chef Damien Montecer, que fazia a sua estreia. Juntei a fome com a vontade de comer: além de desfrutar de maravilhas, testemunhei passagens (ela cantou na piscina) e histórias (só comeu hambúrgueres e pizzas, para desespero do chef, e quebrou muitas Veuve Clicquot na suíte), que me renderam os tais cinco minutos de fama. Fui parar em jornais e TVs. Amy morreu logo depois, a parte indigesta da história.

Outros famosos já estiveram em um dos hotéis mais interessantes do Rio (agora com o selo MGallery, de hotel boutique), assim como nomes importantes da atual cozinha carioca, como o uruguaio Esteban Mateu (Camolese), o argentino Pablo Ferreyra (Hilton) e o próprio Montecer, hoje no Bazzar à Vins. Mas só há poucos meses o restaurante passou a contar com um chef brasileiro, o Paulo Grobe, paulista que viveu uma década na Inglaterra, mas que tem cozinha farta em brasilidades, e isso não tem preço. Aliás, tem e não é pouco.

Aberto há quase 20 anos, o Térèze é o mesmo, mobiliário e trabalhos de artistas brasileiros de encher de orgulho; os janelões (foi uma fazenda de café) abertos para uma vista diferente do Rio, trilha emocionante (e viva a nossa música), Mata Atlântica por todos os lados e agora a cozinha de Grobe coroando a experiência.

Os pães são servidos com a manteiga com fuligem defumada; as ostras chegam com “gastrique” (não, não é gastrite), molho de melancia e tomate, um mergulho na piscina (R$ 80, porção); o ceviche combina peixe com lichia e batata-doce (R$ 58); e o crudo de peixe, com creme de iogurte e gomos de laranja (R$ 74), delicadezas para festejar.

De principal, o entrecôte de angus com crumble de batata e um purê de cebola assada que comi de colheradas (R$ 132). O bolo de coco chegou úmido, com compota de abacaxi (R$ 42); a panacota de café, salpicada de farofa de broa de milho e servida com sorvete de leite da casa (R$ 54); e a tábua de queijos foi uma uma aula de queijaria brasileira. E com mel do Cerrado (R$ 90).

Já tive receios de ir até Santa Teresa, sensação que mandei para o espaço faz é tempo. Meus temores hoje passam por outros caminhos e, definitivamente, não são os de acesso ao bairro e hotel. Cruzar com o bondinho pelo caminho e fechar a tarde, bem alimentada, com um pôr de sol de cinema, é de deixar qualquer um nas alturas.

Rua Felicio dos Santos 15, Santa Teresa — 3380 0259. Seg a seg, de meio-dia às 15h30 e das 18h às 22h30.

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