Críticas à polícia de Londres após intervenção em homenagem à mulher assassinada

Sylvain PEUCHMAURD
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Sarah Everard desapareceu em Londres em 3 de março

A polícia de Londres foi duramente criticada neste domingo (14) após sua intervenção em uma homenagem não autorizada a uma jovem londrina sequestrada e assassinada, em um caso no qual um agente policial é acusado como culpado.

Uma série de distúrbios começou no sábado à noite entre policiais e alguns participantes em uma vigília, à luz de velas ou das lanternas dos celulares.

Imagens que mostram a polícia imobilizando ou algemando alguns participantes geraram inúmeras condenações e um sentimento de rejeição, que soma-se à intensa emoção provocada pelo desaparecimento de Sarah Everard, uma jovem trabalhadora de 33 anos, quando voltava para casa.

O movimento Reclaim These Streets, que organizou inicialmente o evento antes de cancelá-lo devido à falta de acordo com a polícia, condenou a ação dos policiais que "maltrataram fisicamente as mulheres durante uma vigília contra a violência masculina".

A ministra do Interior, Priti Patel, e o prefeito trabalhista de Londres, Sadiq Khan, exigiram explicações à polícia pela sua atuação.

O chefe dos Liberais-democratas pediu à máxima autoridade da polícia de Londres, Cressida Dick, para renunicar, ao considerar que "perdeu a confiaça de milhões de mulheres".

Para o chefe da oposição trabalhista Keir Starmer, os acontecimentos de sábado são "profundamente preocupantes".

Em um comunicado na madrugada de sábado para domingo, a comissária adjunta, Helen Ball, defendeu a ação da polícia e disse que sua intervenção foi "necessária".

"Centenas de pessoas reunidas representavam um risco real" de transmissão da covid-19, que deixa mais de 125.000 mortos no Reino Unido, o pior balanço na Europa.

"Pedimos várias vezes aos que estavam lá para respeitar a lei e ir embora", afirmou, acrescentando que uma "pequena minoria de pessoas" empurrou os policiais e lançou projéteis contra eles.

- Uma vela em Downing Street -

Apesar do cancelamento do evento pelas restrições em vigor contra o coronavírus, uma multidão se reuniu ao anoitecer no bairro londrino de Clapham, no qual Sarah Everard desapareceu há dez dias.

Seu corpo foi encontrado em uma floresta de Kent (sudoeste). Um agente da unidade de polícia de Londres encarregada da proteção de representações diplomáticas, Wayne Couzens, de 48 anos, foi indiciado na sexta-feira por sequestro e assassinato.

Uma vela foi acendida no sábado à noite em 10 Downing Street, residência do primeiro-ministro Boris Johnson.

Outras homenagens aconteceram em várias cidades, como Glasgow, Nottingham, Birmingham e Bristol.

Um movimeto feminista, Sisters uncut, convocou uma manifestação para este domingo à tarde em Scotland Yard.

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