Críticas ao prefeito de NY por denunciar funeral de judeus ortodoxos

Membros da comunidad judaica ortodoxa no Brooklyn em 8 de abril de 2020

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, era alvos de críticas nesta quarta-feira (29) por ter ameaçado a comunidade judaica com detenções caso não respeite o confinamento ordenado pela pandemia de coronavírus, após o enterro de um rabino que reuniu centenas de judeus ortodoxos no Brooklyn.

"Minha mensagem à comunidade judaica, e a todas as comunidades, é simples: já passou o tempo das advertências", tuitou o prefeito na terça-feira à noite, depois de supervisionar pessoalmente a dispersão por parte da polícia do funeral do rabino Chaim Mertz, que foi organizado em violação às ordens de distanciamento social.

"Pedi à polícia de Nova York que multe ou inclusive detenha aqueles que se reúnem em grandes grupos. Isto é sobre parar esta doença e salvar vidas. Ponto", completou De Blasio.

O Conselho Judaico Ortodoxo de Assuntos Públicos (OJPAC, na sigla em inglês) acusou no Twitter o prefeito de hipocrisia por criticar a comunidade judaica, mas não falar nada sobre as pessoas que se reuniram, mais cedo na terça-feira, para observar a passagem de caças em homenagem aos profissionais da saúde na cidade.

"De Blasio teria enviado um tuíte idêntico, substituindo a palavra "judeu" por qualquer outra minoria religiosa? Se não, por que não? A lei deve ser aplicada de maneira neutra, sem ter como alvo a fé religiosa", escreveu o representante republicano do Texas Ted Cruz.

Outro representante, o democrata Ted Deutch (Flórida), que é judeu e preside o Comitê de Ética da Câmara de Representantes, afirmou que as fotos do funeral são "perturbadoras", mas que "apontar toda a comunidade judaica para possíveis detenções dá calafrios.

De Blasio disse à imprensa nesta quarta-feira que se expressou "com paixão, emoção" quando escreveu o tweet, chocado pela grande multidão de pessoas.

Ele admitiu que está arrependido por ter ferido alguém com seus comentários e manifestou seu "amor" pela comunidade judaica. Disse, no entanto, que não se arrepende de "ter apontado o perigo" e que será "muito difícil" em um momento de aplicar o distanciamento social.

Mais de 1,1 milhão dos 8,6 milhões de nova-iorquinos são judeus e 72.000 deles moram no bairro de Williamsburg, no Brooklyn, onde aconteceu o funeral, segundo o OJPAC.