'Crônicas cariocas' tomam conta do MAR

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O Rio de Janeiro das conversas de botequins, das rodas de samba nas esquinas, do Viaduto de Madureira, dos terreiros e das feiras livres. É esta a cidade que resgata a exposição “Crônicas cariocas”, que inaugura neste sábado (25) no Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá.

Com participação do historiador Luiz Antônio Simas e da escritora Conceição Evaristo na curadoria, a mostra dá vida às histórias cotidianas da cidade através de 600 obras de arte, entre fotografias, pinturas, filmes e músicas. São mais de 100 artistas de diferentes gerações, como Rosana Paulino, Denilson Baniwa, Bispo do Rosário, Laerte, Bastardo, além de Milena Manfredini, Guignard, Di Cavalcanti e Lasar Segall.

– Há uma certa percepção turística da cidade como um balneário restrito à Zona Sul. A exposição lança um olhar para o Rio praticado de fato pelos cariocas. É no subúrbio que está o nosso patrimônio imaterial. As comidas, músicas, as maneiras de se festejar a vida – aponta Luiz Antônio Simas.

O bom e velho bate-papo entre vizinhos é uma das referências da exposição. Logo no início, o visitante atravessa um túnel que dá acesso às galerias ao som do burburinho de uma conversa entre Simas, Conceição Evaristo e a cantora Teresa Cristina. Ao fim, uma televisão exibe o vídeo do diálogo.

Passeando pelas três galerias de exposição, o público é acompanhado pela sonorização do cotidiano, através de músicas e sons. – É a perspectiva de que a cidade não é só vista, mas escutada e sentida – explica o curador-chefe do museu, Marcelo Campos.

A exposição propõe ainda um mergulho no Rio pré-pandêmico para refletir sobre as próximas páginas para a cidade.

– Neste ano, decidimos resgatar a força do Rio. Nossa proposta é revermos nossas tragédias e pensar na potência que existe aqui. Somos capazes de reconstruir, mesmo com as adversidades. Queremos pensar na reivenção – afirma Campos.

Para o historiador Simas, a pandemia esvaziou o papel da rua como um local de encontro, e a evidenciou como um lugar de passagem, de passos apressados.

– Com a tecnologia, descobrimos outras formas de criar nossos elos de sociabilidade, mas isso também pode nos levar a uma perspectiva de uma cidade que se esconde atrás da tela – alerta Simas – Precisamos pensar na retomada e discutir que cidade queremos: fundamentada em encontros ou moldada pela lógica de circulação apressada? – questiona.

"Crônicas cariocas" é a principal exposição deste ano no MAR e vai até 31 de julho de 2022. Pelas redes sociais do museu, o público também poderá acompanhar semanalmente a série “Isso é a cara do Rio!”, composta por dez vídeos que abordam o cotidiano do carioca em situações do dia a dia, observadas pelas ruas da cidade.

Museu de Arte do Rio: Praça Mauá, 5, Centro — 3031-2741. De 25 de setembro de 2021 a 31 de julho de 2022. Ingressos a partir de R$ 10. Qui a dom, das 11h às 18h.

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