Cracolândia fecha rua dos Gusmões e gera insegurança na Santa Ifigênia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dependentes químicos bloquearam a rua dos Gusmões e a transformaram em mais um fluxo da chamada cracolândia, no centro de São Paulo. A via está localizada nas proximidades de um dos mais conhecidos centros comerciais da cidade, a rua Santa Ifigênia, com lojas especializadas em produtos eletroeletrônicos.

Fluxo é o nome dado para a concentração de usuários de drogas em um determinado ponto.

Devido à quantidade de pessoas, se tornou impossível acessar tanto a pé quanto de carro a rua dos Gusmões na altura da avenida Rio Branco, fazendo com que o motorista precise encontrar caminhos alternativos para chegar até a Santa Ifigênia.

Por volta das 16h desta terça-feira (5), apenas uma dupla de policiais militares, que estava na calçada de uma concessionária de veículos desativada na Rio Branco, monitorava a situação.

No mesmo horário, usuários de drogas também caminhavam pela avenida com caixas de som portáteis pedindo dinheiro a motoristas parados em semáforos. O trânsito na Rio Branco seguia normalmente e nenhuma de duas vias estavam bloqueadas.

Além da rua dos Gusmões, um outro fluxo continuava concentrado na rua Helvétia, entre a avenida São João e a alameda Barão de Campinas. O grupo estava isolado por faixas e cones, com um trecho liberado para passagem de veículos e pedestres.

Até a semana passada, os usuários de drogas que hoje ocupam a rua dos Gusmões estavam fixados na Rio Branco, em um trecho entre a a própria Gusmões e a rua General Osório. Após uma ação da polícia na última quinta (30) para impedir a presença do grupo na avenida, eles se mudaram para o ponto atual.

À reportagem, comerciantes da rua Santa Ifigênia disseram que os clientes sumiram devido ao medo de transitar pelo local.

O gerente comercial Eder Perez, 35, trabalha há 12 anos na Santa Ifigênia, e contou que pedestres e motoristas já eram vítimas de furtos e roubos na região, mas que a situação piorou após a dispersão dos usuários de drogas e moradores de rua da praça Princesa Isabel, em maio passado. A nova mudança para deixou o cenário ainda mais preocupante, diz ele.

"O quarteirão entre a Gusmões e Santa Ifigênia está intransitável. Temos relatos de clientes que estão assustados e estão deixando de frequentar a nossa rua. Temos queda de 40% no número de clientes para este período do ano. Tenho este controle com relação ao nosso número de cupons fiscais emitidos", disse Perez.

Além da ausência no número de clientes, ele conta que os funcionários das lojas também tiveram que alterar suas rotinas para evitar crimes.

"Estamos apreensivos. Nossos fiscais de loja estão trabalhando praticamente nas calçadas. No sábado, por exemplo, em pleno funcionamento tivemos de baixar as portas das lojas por duas vezes, devido ao fluxo dos usuários subirem a rua na tentativa de saquear os produtos", afirmou.

"Fica aquele corre-corre, os clientes assustados correm para dentro das lojas, para se proteger e não serem furtados", acrescentou.

Um outro comerciante com estabelecimentos na rua Santa Ifigênia classificou como "estado de pânico" a situação atual. "Temos que fechar as lojas várias vezes ao dia", disse o empresário Eduardo Salim, 51, sobre o medo de furtos e roubos.

Ele também notou um recuo na quantidade de pessoas em busca de sua loja após as mudanças recentes de endereço da cracolândia.

"A quantidade de clientes caiu 50%. E, os clientes que vem, nos relatam que não voltariam mais", disse Salim. Para ele, falta policiamento no local, e uma base policial poderia amenizar a situação.

Diante do quadro, os comerciantes da rua Santa Ifigênia pretendem realizar um protesto na próxima quinta-feira (7). A intenção é fechar as lojas entre 9h e 11h, como forma de chamar atenção para a insegurança.

Procuradas, a Prefeitura de São Paulo e a SSP (Secretaria de Segurança Pública do estado) não se pronunciaram até a publicação deste texto.

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