Cracolândia em SP resiste e volta ferver

Quatro mulheres circulam pelas Ruas Dino Bueno e Helvétia, no coração da cracolândia. Duas aparentam ter menos de 15 anos e correm em direção a um bolo de gente para comprar pequenas pedras de um traficante que chega na quarta-feira à tarde. Uma jovem bonita, de cerca de 18 anos, vestindo shorts jeans e top brilhante dança funk na calçada na frente da caixa de som portátil. Um homem na casa dos 20 anos passa enrolado em um cobertor azul claro como um fantasma, com feridas que parecem herpes em volta dos olhos.

A cracolândia, com suas rotinas e sociabilidade únicas, onde diferentes tipos humanos se relacionam e circulam alucinados para cima e para baixo, voltou a funcionar a todo vapor em São Paulo. Ferve de segunda a segunda, durante o dia e a madrugada. Em horário comercial, em um dos equipamentos da Prefeitura, na Rua Helvétia, que ainda não foi oficialmente inaugurado, passam cerca de 500 pessoas diariamente, o que indica que o número de frequentadores voltou a ser o mesmo dos tempos áureos.

“Não se pode mais dizer quanto tempo vai levar para transformar a realidade deste espaço. Não é possível prever o fim da cracolândia. O problema é mais complexo do que imaginávamos”, afirma o psiquiatra Ronaldo Laranjeiras, coordenador do Programa Recomeço, uma das apostas do governo estadual para lidar com o problema.

Em janeiro do ano passado, na ação mais espetacular feita pelo Estado na região, as Polícias Militar e Civil ocuparam a cracolândia, no centro de São Paulo, na operação apelidada de Dor e Sofrimento. O conjunto de medidas, que levou o governo a anunciar que a cracolândia estava com os dias contados, buscava impedir o fornecimento de drogas e induzir consumidores ao tratamento.

Chegou-se a anunciar a prisão e internação de mais de 2 mil pessoas. Um ano e nove meses depois, a região mostrou sua capacidade de resistência, voltando ao estágio anterior à ocupação. Cresceu a quantidade de barracas nas ruas, onde os usuários de crack consumem a droga e vivem provisoriamente. Também há sofás velhos para o consumo da droga e bate-papo. A Helvétia chega a parecer uma pequena favela com habitações nas calçadas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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