Cracolândia se dispersa após ordem do crime organizado, diz polícia

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Funcionários da prefeitura limpam entorno da região conhecida como Cracolândia, no Campos Elíseos, em São Paulo. (Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo)
Funcionários da prefeitura limpam entorno da região conhecida como Cracolândia, no Campos Elíseos, em São Paulo. (Foto: Reprodução/Prefeitura de São Paulo)

As ruas da Cracolândia, região central de São Paulo, conhecida por reunir usuários e traficantes de drogas, estão vazias desde o último final de semana. Ao jornal Folha de S. Paulo, a Polícia Civil afirmou que a dispersão do “fluxo” ocorreu na última quinta-feira (17) após ordem do crime organizado.

Imagens das câmeras de segurança da prefeitura mostravam moradores de prédios comemorando na praça da rua Cleveland na noite desta segunda-feira (21). O local era tomado por barracas de traficantes. Nas imagens, é possível ver caminhões da prefeitura jogando jatos de água para fazer a limpeza da via.

O secretário-executivo municipal de Projetos Estratégicos, Alexis Vargas, disse ao jornal que a decisão é uma resposta a ações de segurança recentes na região, como a Operação Caronte, deflagrada em junho de 2021. Desde então, 92 pessoas foram presas sob suspeita de tráfico de drogas na Cracolândia.

Segundo ele, não houve nenhum tipo de negociação com o crime organizado. "As prisões ocorreram em todos os níveis do tráfico. Ficou mais difícil chegar droga na cracolândia e os preços subiram", disse o secretário ao jornal.

O padre Júlio Lancellotti, coordenador da Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, disse ao G1 que não entendeu a mudança repentina e demonstrou preocupação com o “desaparecimento” dos usuários da região.

“Não ficou claro até agora o que foi que aconteceu”, disse ao site. “Está sendo difícil localizar os que estavam em tratamento, os que tinham procedimentos marcados, os que tinham consulta... e a própria relação humana: onde eles estão?”.

Dispersão dos usuários pela cidade

Segundo a prefeitura de São Paulo, cerca de 500 pessoas circulavam por dia na região da cracolândia até a semana passada. Esse grupo, agora, está disperso pelo centro da cidade em busca de um novo ponto para instalar o fluxo.

Ao jornal Folha de S. Paulo, moradores do entorno da Cracolândia relataram que a desocupação das alamedas Helvetia e Cleveland se deu de maneira pacífica.

A saída do tráfico do entorno da praça Júlio Prestes ocorre a poucos dias da inauguração do hospital estadual Pérola Byington, na alameda Glete.

No último sábado (19), o governador João Doria (PSDB) esteve no local para anunciar a abertura do edital que irá escolher a organização social responsável por gerir o hospital.

Doria chegou a anunciar o fim da Cracolândia, quando prefeito de São Paulo, em 2017, após uma operação policial que retirou a população em situação de rua da área. No entanto, os dependentes químicos se espalharam pelo entrono do local e fluxo retornou pouco tempo depois.

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