Credit Suisse diz que plano de reestruturação será mantido apesar de saída repentina de executivo

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Por Anshuman Daga e Oliver Hirt

CINGAPURA/ZURIQUE (Reuters) - O Credit Suisse manterá sua reformulação estratégica apesar da saída abrupta do presidente do conselho de administração Antonio Horta-Osório após uma investigação interna sobre sua conduta pessoal, incluindo violações das regras relacionadas à Covid-19, disse seu sucessor nesta segunda-feira.

Horta-Osório sai menos de nove meses depois de ingressar no banco para ajudá-lo a lidar com a implosão da empresa de investimentos Archegos e a insolvência da britânica Greensill Capital. O executivo deixou a instituição em um momento em que o Credit Suisse buscava se recuperar da saída do presidente-executivo Tidjane Thiam, ocorrida em 2020 em meio a um escândalo de espionagem.

As ações do banco caíram cerca de 1,6% nas negociações do meio da manhã.

A conduta pessoal do banqueiro português foi recentemente criticada depois que ele violou regras de quarentena contra a Covid-19 duas vezes, em novembro e dezembro 2021.

"Lamento que várias das minhas ações pessoais tenham levado dificuldades para o banco e comprometido minha capacidade de representá-lo interna e externamente", disse Horta-Osório em comunicado divulgado pelo Credit Suisse nesta segunda-feira.

O Credit Suisse disse que Horta-Osorio renunciou após uma investigação encomendada pelo conselho e que o membro do conselho Axel Lehmann assumiu a presidência do colegiado com efeito imediato. O banco não deu detalhes sobre a investigação.

Duas pessoas familiarizadas com a situação disseram que o comportamento de Horta-Osório, incluindo o uso de jatos particulares do banco, estava no centro da investigação. As duas fontes disseram que, além das violações relacionadas à pandemia, o executivo orientou um jato do Credit Suisse para levá-lo às Maldivas em um retorno de uma viagem de negócios na Ásia.

Um porta-voz de Horta-Osório disse que ele não fala com a imprensa.

Lehmann, um suíço que trabalhou anteriormente para o rival UBS e passou quase duas décadas no Zurich Insurance Group, disse que nenhuma mudança de curso é planejada para o Credit Suisse enquanto o banco tenta retornar a águas mais calmas.

Lehmann disse que os negócios com os clientes permaneceram excelentes apesar da última reviravolta e que nenhuma grande mudança na gestão está em andamento. O executivo acrescentou que o presidente-executivo, Thomas Gottstein, é "central para nossa capacidade de continuar a transformação juntos".

Analistas disseram que depois que foi descoberto que Horta-Osório havia violado as regras sobre a Covid-19 duas vezes, era inevitável que ele deixasse o banco, mas isso poderia dificultar ainda mais a recuperação o Credit Suisse.

Se recuperando de um ano desastroso, o Credit Suisse registrou queda de 21% no lucro do terceiro trimestre do ano passado e alertou para prejuízo nos últimos três meses de 2021.

As ações do Credit Suisse caíram 23% no ano passado, enquanto as ações do UBS subiram 33%, para o maior nível em quatro anos.

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