Cremerj manifesta preocupação como possível falta do 'kit intubação' no Rio

O Globo
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RIO - O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio (Cremerj) reforçou nesta segunda-feira a recomendação aos médicos para que tenham cautela no uso dos medicamentos do chamado "kit intubação". O temor é que esses fármacos — fundamentais em procedimentos para pacientes com Covid-19 que precisam de intubação traqueal e ventilação mecânica — comecem a faltar no Rio, num momento em que aumenta a ocupação dos leitos de UTI no estado, assim como a fila de pessoas à espera por vaga na terapia intensiva.

— Estamos agindo por precaução. Não existe uma falta, mas a demanda está alta por esses medicamentos, muito maior do que a habitual. Isso é um fato. Precisamos nos prevenir em prol da qualidade da assistência médica no nosso estado e para garantir o melhor tratamento para os nossos pacientes — afirma Walter Palis, presidente do Cremerj.

Para evitar que os medicamentos faltem nas UTIs para a Covid-19, na semana passada o Cremerj já tinha publicado uma nota técnica com recomendando a interrupção provisória do agendamento de procedimentos anestésicos-cirúrgicos eletivos não tempo-sensíveis, ou seja, aqueles cuja espera não agravaria o estado de saúde do paciente. E orientou, principalmente aos anestesiologistas, que, em casos que sejam necessários esses procedimentos anestésico-cirúrgicos, priorizem medicamentos que não estejam sendo usados nas UTIs, como os anestésicos inalatórios e bloqueios regionais, desde que a mudança não comprometa a segurança.

Como O GLOBO mostrou neste domingo, nos atendimentos realizados por voluntários do programa Enfermagem Solidária, do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), nas últimas semanas tem crescido em alguns estados os relatos de profissionais de saúde que buscam ajuda psicológica diante da angústia da falta de sedativos do "kit intubação" em alguns hospitais.

— Esses profissionais não estão suportando. Não aguentam mais cuidar das pessoas e perdê-las. Nos estados onde já faltam os "kits intubação", assistir ao sofrimento dos pacientes tem sido a gota d'água. Eles contam que, sem os sedativos, muitos acordam no meio de intubação, com dor, e tentam arrancar o tubo de não tiverem contenção de braços e pernas — relatou Dorisdaia Humerez, coordenadora do projeto.

No caso da nota técnica do Cremerj, chama-se atenção para a importância da vacinação de todos os médicos e demais profissionais de saúde. E pede que autoridades ofertem leitos de qualidade para a assistência da população, sejam eles de enfermaria ou de UTI.