Médico tem registro cassado após denúncias de abuso sexual

·2 minuto de leitura
Registro profissional do nutrólogo Abib Maldaun Neto, condenado em segunda instância por violação sexual
Registro profissional do nutrólogo Abib Maldaun Neto, condenado em segunda instância por violação sexual

O nutrólogo Abib Maldaun Neto, preso desde dezembro, teve seu registro cassado de forma definitiva pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina), após acusações de abusos sexuais cometidos durante consultas.

Em setembro de 2020, o órgão havia informado que o registro do nutrólogo ficaria suspenso durante seis meses enquanto as denúncias eram investigadas.

Leia também

Segundo o canal GloboNews, durante sessão virtual do Cremesp realizada na tarde do último sábado (10), 17 conselheiros votaram a favor da cassação definitiva do CRM do médico e apenas um votou contra. O advogado Marcelo Martins de Oliveira, que representa Maldaun Neto, informou que vai recorrer ao CFM (Conselho Federal de Medicina).

Pelo menos cinco pacientes relataram terem sido vítimas de abuso pelo profissional. De acordo com as vítimas, o crime ocorreu durante a realização de exames físicos. Elas dizem que procuraram atendimento pois ele era um médico renomado e que atendia celebridades.

Os casos começaram em 2012. As pacientes tinham entre 17 e 31 anos na época dos abusos e estavam sozinhas durante as consultas. “Ele falou: ‘Eu vou verificar como está, como estão as coisas’. E enfiou dois dedos na minha vagina e começou a estimular...meu clitóris. E dai eu já estava me sentindo muito mal... Eu virei pro lado, comecei a chorar sem que ele percebesse. Só desejava que aquilo acabasse o mais rápido possível", disse uma paciente, sob condição de anonimato.

Em nota, Abib Maldaun Neto negou ter cometido abuso sexual: "Mantenho a consciência tranquila, pois em décadas arduamente dedicadas à medicina jamais pratiquei qualquer ato imoral ou ilegal contra qualquer paciente ou cidadão. Sempre atuei de forma ética, integra e profissional zelando pela dignidade da honrosa profissão a qual dedico a minha vida, por esta razão sempre colaborei com o processo, comparecendo em todos os atos e me colocando à disposição da Justiça a fim de que a verdade real dos fatos seja devidamente comprovada”.

O advogado Fernando Castelo Branco, defensor das vítimas, disse que, apesar da demora das denúncias e com a ausência de exame de corpo de delito para comprovar a violação sexual mediante fraude, há provas circunstanciais e testemunhais.

"O que nós trabalhamos foi com as questões circunstanciais. Provas testemunhais que demonstravam que todo o relato dele, que estava acompanhado por uma enfermeira, que a paciente não tinha ido no dia da consulta, conseguimos demolir no processo legal, no criminal e no CRM."