Crepe Dom João VI; Crepe Carlota Joaquina: casal cria restaurante inspirado na história do Brasil

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RIO — Dom João VI, Carlota Joaquina, Dom Pedro I e Dom Pedro II são quatro dos ilustres ex-moradores de São Cristóvão. A passagem da nobre família portuguesa pelo Bairro Imperial está registrada nos livros de História e também segue viva na Quinta da Boa Vista, ainda que o incêndio no Museu Nacional, em setembro de 2018, tenha destruído grande parte da antiga moradia real. Muita gente que vive ou transita pelo lugar nem dá bola para preservar as memórias destes tempos áureos. Noelle Carneiro e Gabriel Arantes fogem à regra. Vizinhos em uma vila na Rua Figueira de Melo, o casal de namorados criou o Palácio do Crepe e decidiu batizar cada sabor com o nome de um nobre que viveu por lá ou de um evento ligado aos acontecimentos do século XIX.

Estudante de Direito, Noelle se associou ao namorado, aluno de Adminstração, logo após ele perder o emprego num restaurante do bairro, no início da pandemia. O jeito para o jovem não precisar voltar para a casa dos pais, em Minas Gerais, era se reinventar. Melhor ainda em parceria com a amada.

Como Arantes já tinha experiência em cozinha, aprendeu rápido os segredos do crepe e criou novos sabores. Mas não bastava vender a iguaria. Para o casal, era necessário oferecer uma experiência que estivesse intimamente ligada a São Cristóvão. Não demorou para os jovens terem a ideia de unir a gastronomia com a história do Bairro Imperial.

— Como sou nascida e criada em São Cristóvão e eterna apaixonada pelo bairro, quis explorar esse lado histórico tão bacana. E o bairro, diga-se de passagem, já conquistou o amor do Gabriel. Começamos pela escolha do nome, Palácio do Crepe. Depois decidimos batizar os sabores dos crepes em homenagem à família real. O Dom João VI é de frango, claro! — diz Noelle, em referência à conhecida admiração dele pelo alimento. — Junto com o pedido do cliente, enviamos uma cartinha, em formato de pergaminho, para apresentar o nosso trabalho. É tudo muito lúdico.

No alto do bilhete, um detalhe faz toda diferença.

— O nosso cliente é a nossa majestade, então nós os chamamos de rainhas e reis — conta a universitária, que disponibiliza o perfil @palaciodocrepe, no Instagram, para contato.

Arantes é o responsável pelo preparo dos crepes na cozinha de sua casa.

— Como já tinha prática na rotina de um restaurante, não tive dificuldade de estabelecer uma dinâmica na cozinha e para a compra dos ingredientes. A qualidade dos produtos e a mistura de sabores, como o crepe Marquesa de Santos, que é de frango com abacaxi, são alguns dos nossos diferenciais — observa o estudante de Administração e também cozinheiro.

O sucesso do Palácio do Crepe, que completou um ano em abril, já permite que o casal pense em ter uma loja física.

— Funcionamos diariamente, a partir das 17h, só por delivery. Mas o nosso desejo é poder atender os nossos reis e rainhas também no formato presencial. A loja vai ser em São Cristóvão, com certeza —diz ele.

A paixão pela gastronomia, velha conhecida de Arantes, também arrebatou o coração de Noelle, que segue cursando a faculdade de Direito, mas não se vê mais em meio a processos e audiências em tribunais.

— Eu me descobri empreendedora. Gabriel sempre teve esse lado, vendia sacolé na rua com 6, 7 anos. Mas o Palácio do Crepe me trouxe essa vontade de realizar os meu próprios projetos e me uniu ainda mais ao meu namorado. O casamento é um sonho que o nosso negócio vai nos ajudar a realizar. Eu nos vejo no futuro casados, trabalhando juntos e abrindo lojas físicas do nosso Palácio— diz a jovem.

O amado faz coro:

— Nossos sonhos são os mesmos!

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