Cresce divulgação de festas privadas no Recife e em Olinda no Carnaval

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.11.2014 - Entrevista com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), no estúdio do UOL, em Brasília. (Foto: Sergio Lima/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 27.11.2014 - Entrevista com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), no estúdio do UOL, em Brasília. (Foto: Sergio Lima/Folhapress)

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Organizadores de festas privadas voltadas para o período do Carnaval em Olinda e Recife têm intensificado a divulgação dos eventos. A realização das comemorações, porém, está incerta devido à pandemia de Covid e à epidemia de gripe em Pernambuco.

Na última quarta-feira (5), a Prefeitura de Olinda confirmou o cancelamento das festas carnavalescas de rua em 2022. Já a da capital optou pela suspensão da folia, com a hipótese de promovê-la em outro período do ano, a depender do cenário epidemiológico.

Apesar dos anúncios, as duas administrações municipais optaram por não se posicionar em relação aos eventos privados e preferiram deixar a responsabilidade a cargo do governo estadual, que já anunciou que só se manifestará sobre a situação na segunda quinzena de janeiro.

O governo de Paulo Câmara (PSB) estuda duas possibilidades: proibir eventos privados ou reduzir a capacidade de público (atualmente estão limitados a 7.500 pessoas ou a 80% do espaço da festa).

Na quinta-feira (6), o secretário de saúde de Pernambuco, André Longo, sinalizou que o governo poderá reformular o protocolo do setor de eventos. Nesta sexta (7), em reunião, prefeitos pediram ao governador Paulo Câmara a redução na capacidade de eventos.

O cenário de piora nos hospitais de Pernambuco, com aumento na procura por leitos e por atendimentos em prontos-socorros, não mudou o modelo de atuação de promotores de eventos privados de Carnaval.

Nas ruas da cidade, é comum encontrar propagandas de eventos festivos para o período da folia. Nos meios de comunicação, as divulgações também ocorrem em proporção similar à de anos anteriores à pandemia.

De acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Eventos em Pernambuco (Abrape-PE), há cerca de 70 promotores de eventos com atividades programadas para o período de Carnaval no estado.

Levantamento feito pela reportagem da Folha aponta que os cinco promotores privados de Carnaval mais procurados do Recife e de Olinda, os dois principais polos da folia pernambucana, seguem com o mesmo número de eventos festivos em relação a 2020.

Já o número de eventos promovidos aumentou, impulsionados por mais prévias de Carnaval, festas que já começam a ser realizadas no segundo final de semana de janeiro. Tradicional bloco do Carnaval de Olinda, o Ceroula, por exemplo, vai fazer um evento no dia 22 de janeiro com ingressos a R$ 130.

Quanto aos preços dos eventos particulares mais procurados, as cifras seguem em patamar similar ao de dois anos atrás. O Carvalheira na Ladeira, por exemplo, um dos mais procurados por famosos em Olinda, faz quatro dias de festa com ingressos a R$ 650 por dia ou R$ 2.440 o pacote de quatro dias de evento.

Entre os escalados para o camarote estão cantores como Anitta, Thiaguinho, Matuê, Alceu Valença e Vintage Culture, entre outros.

O empresário Bruno Rêgo, organizador do Carnaval Boa Viagem, fundado há cinco anos, defende a realização de eventos em razão da exigência de comprovação de vacinação completa contra a Covid ao público, conforme previsto no atual protocolo do governo de Pernambuco para o setor de eventos.

"Os eventos são seguros porque temos como controlar a exigência do passaporte da vacina. Estamos vendo campos de futebol com jogos com público e vemos uma discriminação em relação às festas", afirma o empresário. "Estamos chamando de Carnaval dos vacinados ao invés de carnaval privado."

"As pessoas estão praticamente tendo uma vida normal, não é possível que a gente de novo vá pagar por isso. Está tudo aberto, tudo normal. Os campos de futebol, na última rodada do Campeonato Brasileiro, estavam cheios. Aí quando se fala de evento que coloca 5.000 a 7.000 pessoas tem problema? As pessoas vão para festa, bar, restaurante, praia. E na hora do evento existe isso (a tentativa de barrar)? Parece uma implicância", diz o empresário Carlito Asfora, também promotor de eventos de Carnaval.

Para o infectologista Bruno Ishigami, a realização de eventos festivos privados pode intensificar a propagação da Covid-19 e da gripe.

"Já dá para atribuir a piora nesse início de ano a festas privadas (no fim de 2021). Quem foi para essa festa e se contaminou e depois foi para o trabalho ou para casa contaminou outras pessoas também", diz o médico. "Numa festa com 7.500 pessoas, todas elas não vão estar de máscara de forma alguma."

Contrário também à realização de grandes eventos como jogos de futebol com público, o infectologista considera que a vacinação ajuda a reduzir o número de casos graves e mortes pela Covid, mas não tem ainda potencial expressivo de redução da contaminação da doença.

"A função da vacina é impedir casos graves e óbitos. A vacina para redução de transmissão a nível populacional vai ser a partir de 80% ou 90% da população totalmente imunizada", diz Ishigami.

O profissional de saúde vê incoerência se o governo optar por manter as festas particulares e proibir apenas os festejos de rua. "É um grande contrassenso saber da existência de filas de UTI e ainda assim permitir a realização de eventos desse porte", avalia.

Apesar da maioria dos empresários tratar o Carnaval de 2022 manifestar a intenção de promover eventos, há posicionamentos contrários no setor. A empresária Carla Bensoussan, que promove Carnaval público e privado no Recife e em Olinda, afirma que não vai realizar eventos neste ano em razão da pandemia.

"Não consigo pensar em promover alegria com tantas mortes e correndo tantos riscos. Não acho que esteja seguro. Não que eu seja contra um ambiente controlado com limitação de pessoas, mas Carnaval não é isso. Carnaval é rua, é viagem, pessoas vindo de outras cidades e países", diz ela.

Na mesma linha, a prévia carnavalesca Enquanto Isso na Sala da Justiça suspendeu o evento pelo segundo ano seguido. A organização do bloco justificou que seria "um enorme desserviço (...) no combate à Covid 19 acontecer a festa em ambiente fechado em meio a muitas incertezas sobre novas variantes em circulação".

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