Cresce o autoatendimento para chopes e cervejas

Lívia Neder
Habitué. À frente, Danilo Vianna tira um chope com amigos do trabalho

RIO - Tendência de mercado, o autoatendimento vem sendo implantado em diversos estabelecimentos da Zona Sul. Lanchonetes, supermercados e até barracas de praia já aderiram à tecnologia. Nessa onda self-service, tirar o próprio chope direto da torneira em bares e festas é a nova sensação entre os amantes de cervejas especiais. E a moda tem tudo para se propagar em casas e eventos da cidade. Apostando na proposta, dois bares de Botafogo implantaram a brincadeira de gente grande, que também é a principal atração do festival promovido hoje no bairro pela Three Monkeys Beer, que conta com 90 torneiras para o livre consumo.

Projetada pensando na experiência do autoatendimento, a Narreal Brewhouse, bar e fábrica de cerveja artesanal, está prestes a completar um ano investindo na inovação, instalada em um casarão na Rua Real Grandeza. Logo que chega, o cliente recebe um cartão magnético pós-pago para utilizar nas 20 torneiras internas e dez externas — essas abertas apenas em dias de evento no beer garden — e nos pedidos à cozinha, feito através de tablets espalhados pelas mesas. A cobrança do chope é contabilizada de acordo com o consumo por mililitro.

— Além da qualidade, um dos nossos principais valores é a inovação, e a queríamos trazer isso também para os serviços. A ideia é empoderar o cliente, mas nossa proposta é investir na tecnologia sem perder a parte humana. Queremos que o garçom fique liberado do braçal e atue como um gerente de relacionamento — explica Jorge Heraldo, um dos seis sócios, que adianta como será a celebração de 1 ano. — Vamos promover uma festa no dia 8 de março, assim como fizemos no réveillon, com shows, DJs e invasão de chefs, e o ingresso vai dar acesso liberado a todas as torneiras. Como também é Dia Internacional da Mulher, vamos servir em uma das torneiras uma cerveja colaborativa produzida por oito mulheres — conta.

Para tirar o chope, não tem mistério. Basta encostar o cartão na tela do rótulo escolhido, puxar a alavanca para frente, e o colarinho fica a gosto do freguês, empurrando a alavanca um pouco para trás. Na hora de mudar o sabor, o copo pode ser higienizado nos lavatórios automáticos anexos às chopeiras.

Em um ambiente descontraído, as mesas comunitárias do Narreal aumentam a interação entre os frequentadores. Além dos rótulos produzidos no local, estão disponíveis cervejas convidadas e colaborativas.

— Vim pela primeira vez para um happy hour com colegas de trabalho e achei muito legal essa proposta. Como não entendo tanto de cerveja, pude experimentar algumas em doses menores até achar aquela com a qual me identifiquei mais — diz a analista financeira Isabela Coutinho, em uma terça-feira de casa cheia.

Indo ao bar pela segunda vez, a também analista financeira Isabela Zicarelli se divertia com a amiga na hora de tirar os chopes.

— É bem fácil, e a vantagem é nos dar uma independência maior, sem contar que não tem aquela demora para chegar — avalia.

Na mesma proposta de autosserviço e também em Botafogo, o bar Down Jones, na Rua Nelson Mandela, tem um diferencial na cobrança. Computado por mililitro, o valor dos rótulos varia de acordo com a demanda. Com inspiração em bolsas de valores, quanto a maior a procura maior será o valor do chope.

— O cliente carrega um cartão pré-pago e pode se servir nas torneiras. Tínhamos uma loja na Barra e abrimos em Botafogo há um ano e dez meses. A ideia do autoatendimento veio por acaso e deu muito certo. Já a inspiração na bolsa veio do medo de o chope ficar parado — revela André Acquaviva, sócio do Down Jones.

Dividindo-se entre Belo Horizonte e Rio por conta de trabalho, o consultor de tecnologia Danilo Vianna virou habitué da casa.

— Venho pelo menos uma vez por semana e sempre trago uma turma. Acho bacana poder provar uma variedade maior e pode ler detalhes nas telas sobre as cervejas que estou bebendo. Já vi essa proposta em bares de Brasília e São Paulo, e a atendência é que o autoatendimento só aumente— aposta.

Festival tem 90 torneiras liberadas

Comemorando 6 anos, a Three Monkeys Beer promove hoje a segunda edição do Brewing Friends Festival (BFF), das 13h às 22h, na Rua São Clemente 446, em Botafogo. Sucesso em 2019, nesta edição o evento vai ter quase o dobro de torneiras liberadas, saltando de 54 para 90. Em esquema open tap e self-service, o ingresso dá direito a beber à vontade. Afinada com o clima de carnaval, a animação fica por conta do Samba Que Elas Querem, do Bloco 442 e dos DJs Minaz e Hels.

Nas torneiras, diferentes chopes, entre rótulos próprios, colaborativos e de cervejarias convidadas, vão estar disponíveis para o público. São 61 cervejarias participantes contando com a própria Three Monkeys. Entre as internacionais, marcam presença as californianas The Rare Barrel, Lagunitas e Stone Brewing, as suecas Spike Brewery e Brewing Költur e as argentinas Strange Brewing e Astor Birra.

— Víamos a galera querendo aprender a tirar o chope nos eventos cervejeiros, e no ano passado resolvemos colocar as torneiras abertas na primeira edição do festival. Sem dúvida foi o ponto alto do evento. O feedback foi ótimo, todo mundo elogiando. Este ano praticamente dobramos a oferta de cervejas. Apesar de ser self-service, teremos profissionais da equipe auxiliando o público — explica Léo Gil, sócio da Three Monkeys.

No BFF, destaque ainda para as cervejarias cariocas OverHop, Hocus Pocus e 3Cariocas, além de cervejarias de outros estados como as paulistas Trilha, Dogma, Avós e Baden Baden, as catarinenses Salvador e Eisenbahn, as gaúchas Devaneio do Velhaco e Suricato e as cearenses 5Elementos e Bold. Serão vários estilos e versões de cervejas, desde os mais tradicionais até os rótulos com ingredientes inusitados.

SIGA O GLOBO-BAIRROS NO TWITTER (OGlobo_Bairros)