Cresce a percepção de corrupção na Venezuela, países da América Central e EUA

Guillermo RIVAS PACHECO
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Trabalhador da saúde segura uma nota de dólar em uma das mãos e o equivalente em notas de bolívar - seu salário - na outra, durante um protesto em Caracas, em 29 de outubro de 2020

Venezuela, Estados Unidos e vários países centro-americanos são vistos como cada vez mais corruptos, de acordo com o relatório anual da organização Transparência Internacional publicado nesta quinta-feira (28), que detalha o impacto desse flagelo nos sistemas de saúde em meio a uma pandemia.

Desde 1995, o Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional coleta a opinião que várias organizações e instituições têm do setor público de cada país, classificando as 180 nações analisadas de 0 a 100.

Dinamarca (88), Nova Zelândia (88) e Finlândia (85) são os países que se saem melhor no estudo, um pódio imutável desde 2012.

Por outro lado, Síria (14), Somália (12) e Sudão do Sul (12) são os países com as maiores taxas de corrupção. A média mundial deste ranking é 43.

Na América Latina, Venezuela (15), Haiti (18) e Nicarágua (22) são os países onde a corrupção está mais presente, enquanto Uruguai (71) e Chile (67) continuam sendo os melhores alunos do continente desde 2012.

Com 38 pontos, o Brasil permanece estagnado em patamar ruim, abaixo da média dos BRICS (39), da média regional para a América Latina e o Caribe (41) e ainda mais distante da média dos países do G20 (54) e da OCDE (64).

No caso da Venezuela, é o quinto país com o sistema mais corrupto do mundo e sua pontuação não para de piorar desde 2013.

A TI concentrou seu relatório de 2020 no impacto que a corrupção teve na gestão da pandemia de coronavírus. Os países com níveis mais altos de corrupção dedicam menos recursos à saúde, o que afeta os serviços públicos essenciais.

A Venezuela perdeu para a corrupção "pelo menos 5 bilhões de dólares nas últimas duas décadas, o que afeta diretamente a saúde dos venezuelanos", disse à AFP Luciana Torchiaro, chefe da TI para a América Latina.

Por sua vez, a percepção da corrupção pública nos Estados Unidos (67) também piora, e o relatório da TI atribui ao país sua menor pontuação desde 2012.

A ONG aponta em particular os obstáculos que o governo de Donald Trump colocou para supervisionar os quase 900 bilhões de dólares destinados a lutar contra os efeitos da covid-19.

"A Covid-19 não é apenas uma crise de saúde e econômica: é uma crise de corrupção. E não a estamos superando", disse Delia Ferreira Rubio, presidente da TI, citada no relatório.

De acordo com um relatório publicado pela TI em 2019, a corrupção no mundo custa aos sistemas de saúde pública US$ 500 bilhões a cada ano.

Do outro lado aparece o Uruguai, que, segundo o relatório da TI, tem o "maior investimento em saúde da região", o que lhe permite ter "um bom sistema de monitoramento epidemiológico que tem ajudado muito no enfrentamento da covid-19".

- Honduras e Guatemala preocupam -

A ONG também se concentra na América Central. Na Nicarágua (22), a percepção da corrupção piorou em sete pontos desde 2012 e é a terceira pior do continente americano.

Outra situação preocupante é a de Honduras (24), onde a gestão da epidemia revelou a existência de contratos opacos para a compra de hospitais móveis e preços inflacionados de equipamentos médicos.

Da mesma forma, a Guatemala (25) é um dos países que mais caíram no ranking, oito pontos desde 2012. Como afirma Luciana Torchiaro, a saída em 2019 da missão das Nações Unidas contra a Impunidade e a opaca gestão do governo durante a pandemia "são práticas que afetam a percepção do combate à corrupção".

A TI destaca o trabalho do Peru (38), onde a aprovação de duas leis para impedir o acesso de condenados por corrupção a cargos públicos e para melhorar a transparência nas finanças públicas sugere uma melhoria no combate a esse flagelo.

Guiana (41) e Equador (39) são os países latino-americanos que mais melhoraram sua pontuação desde 2012, 13 e 7 pontos, respectivamente.

Esta ONG internacional criada na Alemanha há 25 anos recomenda que os governos "fortaleçam as instituições de supervisão, promovam processos de contratação abertos e transparentes e garantam o acesso à informação" para combater a corrupção nos sistemas públicos.

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