Crescem assassinatos no país, apesar da pandemia

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(Arquivo) Policial do Batalhão de Choque, em operação na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, em 2018
(Arquivo) Policial do Batalhão de Choque, em operação na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, em 2018

O número de assassinatos no Brasil aumentou 7,1% no primeiro semestre do ano, apesar das medidas de distanciamento social aplicadas para conter o coronavírus, revela relatório publicado nesta segunda-feira (19).

"Foram registradas 25.712 mortes, o que representa uma pessoa assassinada a cada dez minutos em meio à pandemia de Covid-19, mesmo com as medidas de isolamento social no período", afirma o relatório da ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

"Os dados indicam uma interrupção de uma tendência de queda dos crimes violentos registrada a partir de 2018", informou o documento anual sobre segurança pública no país, território que há muito tempo registra altos níveis de violência. 

Os autores do relatório disseram que é muito cedo para tirar conclusões definitivas sobre a alta nos homicídios, roubos e mortes decorrentes de intervenção policial, mesmo quando a pandemia manteve muitos brasileiros em casa. 

Segundo eles, há necessidade de mais estudos sobre como os grupos criminosos cresceram em meio à pandemia e se o aumento do envio de drogas por via terrestre por causa da redução do tráfego aéreo possivelmente levou a mais conflitos nas rotas de tráfego.

"Neste momento ainda é difícil precisar o que é efeito das medidas de distanciamento social e o que não é", ressalta o relatório. 

Em alguns casos, a pandemia pode ter feito com que menos crimes violentos fossem denunciados frente ao total que de fato ocorreu.

Por exemplo feminicídios aumentaram 1,9% durante o período, mas os relatos de agressões e ameaças contra mulheres diminuíram entre 9,9% e 15,8%, respectivamente. 

"Pode ser reflexo da dificuldade das mulheres comparecerem às delegacias para o registro das ocorrências em meio às medidas rígidas de isolamento social", disse o relatório.

O aumento do homicídios dolosos "pode ser agravado ainda mais pela insistência em torno de medidas ineficazes como o afrouxamento de regras para armar a população", incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro e "um discurso bélico permanente" sobre o crime, observou Renato Sergio de Lima, diretor da ONG. 

O Brasil é o segundo país com mais mortes por coronavírus no mundo, atrás somente dos Estados Unidos, com quase 154 mil. 

Desde que o primeiro caso foi detectado em fevereiro, os governadores e prefeitos impuseram quarentenas parciais, com pouca rigidez, com medidas que não foram seguidas, embora muito criticadas por Bolsonaro, argumentando que eram muito prejudiciais à economia.

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