Crescimento estrutural do Brasil começa a preocupar, diz Campos Neto

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***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  01-10-2020,  O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, posa para fotos na sala do COPOM na sede do BC. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 01-10-2020, O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, posa para fotos na sala do COPOM na sede do BC. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que, embora a média do desempenho da atividade econômica entre 2020 e 2022 deva ser melhor que o previsto, o crescimento estrutural do Brasil começa a preocupar.

"Quando você olha o combinado 2020, 2021 e 2022, a média é melhor [que o previsto], mas começa a preocupar sobre qual é o crescimento estrutural no Brasil e como podemos melhorar isso", afirmou em evento do Bank of America nesta quarta-feira (24).

O titular do BC reafirmou que a autarquia deve revisar para baixo sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) do próximo ano, hoje em 2,1%. A nova estimativa deve ser publicada no próximo relatório trimestral de inflação, em 16 de dezembro.

Nas últimas semanas, analistas e instituições financeiras revisaram para baixo as expectativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2022. Segundo o boletim Focus desta semana, em que o Banco Central divulga projeções do mercado, economistas esperam crescimento de 0,70%. Há uma semana, a projeção era 0,93%, e há quatro semanas, 1,40%.

Algumas casas de análise já trabalham com PIB negativo para 2022.

Sobre inflação, ele reiterou que o país passou por choques consecutivos, em duas ondas, primeiro no preço de alimentos, com eventos climáticos e mudança na dinâmica do consumo durante a pandemia, além de commodities e, por fim, em 2021, com energia e combustíveis. "Quando combinamos esses fatores tivemos o maior choque da história", frisou.

Campos Neto ressaltou que a alta de preços no país foi mais persistente que o esperado e se disseminou de forma intensa.

As expectativas de inflação vêm crescendo semana a semana, tanto para este ano quanto para 2022 e 2023.

O mercado espera que o índice termine 2021 a 10,12%, bem acima da meta fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 3,75% --com 1,5 ponto percentual de tolerância para cima e para baixo.

Para 2022 e 2023, as expectativas estão em 4,96% e 3,42%, respectivamente, acima do centro das metas para os períodos, mas ainda dentro do intervalo de tolerância.

Hoje, o Copom (Comitê de Política Monetária) já mira o controle de preços de 2022 e 2023, no chamado horizonte relevante, para quando o BC entende que a política monetária faz efeito, com metas de 3,5% e 3,25%..

O presidente do BC afirmou que o Copom deve discutir na próxima reunião, em 7 e 8 de dezembro, se o foco ainda será levar a inflação de 2022 à meta ou se 2023 ganhará destaque.

Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 7,75% ao ano e a sinalização é que haja uma nova alta de 1,5 ponto percentual, para 9,25%. Com os dados recentes de inflação piores que os projetados, alguns economistas esperam que o BC eleve o ritmo, com aumento de 2 pontos.

Sobre o ritmo de alta de juros, ele destacou que o objetivo do BC é calibrar adequadamente para que o aperto não seja maior ou menor que o necessário.

"Em todos os bancos centrais há dois erros que podem ser cometidos. O primeiro é subir muito rápido [os juros] e não ter a percepção de qual é o atraso [de efeito da política monetária], e não poder medir isso especialmente porque, por causa da pandemia, os modelos não funcionam tão bem. Você olha depois e tira essa conclusão. O outro é não fazer o suficiente e começa desancorar as expectativas [de inflação]", disse.

Questionado sobre a eficácia da política monetária, ele afirmou que isso também é debatido dentro do BC e que além da mudança na dinâmica do processo inflacionário, houve mudança estrutural na taxa de juros, com grandes empresas se financiando no mercado de capitais e bancos emprestando mais para companhias menores, por exemplo.

"A tendência é acreditar que temos um instrumento mais poderoso agora porque temos menos subsídio no longo prazo, a curva responde mais a isso", ponderou.

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