Cria da comunidade, rainha da Mangueira cruza Sapucaí homenageando ‘lado B’ de Jamelão

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RIO - Brilhando à frente da bateria da Mangueira pela oitava temporada na Marquês de Sapucaí, Evelyn Bastos, cria da comunidade que dá nome à escola de samba, na Zona Norte do Rio de Janeiro, desfilou na noite desta sexta-feira com uma fantasia em homenagem ao “lado B” do intérprete Jamelão. O músico, um dos principais defensores do reconhecimento às vozes que emergem do carnaval carioca, foi ritmista antes de começar a cantar.

Evelyn vestiu um maiô prata, com uma coroa da mesma cor e um costeiro verde e rosa: uma “realeza favelada”, nas palavras dela.

— O cabelo rosa lembra que sou Mangueira da cabeça aos pés. Primeiro, fiquei loira. Depois, rosa. A pintura demorou vários dias. Nunca imaginei na minha vida que seria rainha num enredo sobre Cartola, Jamelão e Delegado — disse Evelyn, minutos antes do desfile.

Batizado de “A cor dessa nação” pelo carnavalesco Leandro Vieira, o figurino de Evelyn dialoga com o modelito da bateria, intitulado “Saudosa Mangueira”. Juntas, as roupas nas cores da agremiação, verde e rosa, contam a história de como Jamelão (o pseudônimo de José Bispo Clementino dos Santos) chegou à “Estação Primeira” por intermédio de um amigo — o compositor Lauro Santos, conhecido como Gradim, que também era jornaleiro.

A bateria foi primeiro contato de Jamelão com a instituição, uma das maiores do Carnaval carioca, Jamelão, que tocava cavaco, passou a integrar o grupo responsável pelo ritmo mangueirense: o encanto maior do artista era com o chamado “surdo de primeira”, instrumento característico do toque da bateria da Mangueira. Evelyn, a “majestade” da bateria, faz referência a essa estreia de Jamelão na escola.

Na preparação anterior ao desfile, além dos ensaios semanais, a beldade, de 28 anos, passou o dia dedicada ao próprio bem-estar na Avenida: apostou num almoço light (sem carboidratos, só com feijão, carne e saladas de folha e cenoura) e, depois, se submeteu a uma sessão de massagem relaxante, para garantir a flexibilidade e o aquecimento dos músculos enquanto samba.

Com Evelyn à frente da bateria, a Mangueira é a segunda escola a cruzar a Avenida nesta sexta, primeiro dia de desfiles do Grupo Especial do Rio no Carnaval 2022. Antes, a Imperatriz abriu a noite, que prossegue com Salgueiro, São Clemente, Viradouro e Beija-Flor.

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