Criador de conteúdo associa autismo a voto em candidato e revolta web

Associações de defesa e suporte a indivíduos com diagnóstico ou suspeita do transtorno do espectro autista repudiaram o vídeo. Foto: Getty Images.
Associações de defesa e suporte a indivíduos com diagnóstico ou suspeita do transtorno do espectro autista repudiaram o vídeo. Foto: Getty Images.
  • Em vídeo, criador de conteúdo associa o voto em candidato presidencial ao autismo;

  • Associações de defesa e suporte a indivíduos com diagnóstico ou suspeita do transtorno repudiaram o caso;

  • Uma ONG registrou um boletim de ocorrência à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que investigará o caso.

Um usuário de TikTok chamado de “Jaba” publicou um vídeo em que associa o diagnóstico de autismo ao voto nas eleições presidenciais.

Nas imagens, o criador de conteúdo relaciona o voto no presidente e candidato derrotado Jair Bolsonaro (PL), nas últimas eleições presidenciais, ao transtorno de espectro autista.

“Como descobrir se o seu filho é autista? Check: olha, pega uma urna e coloca na frente do seu filho. Se ele apertar o 22, com certeza ele é autista”, diz o usuário.

Repúdio

Associações de defesa e suporte a indivíduos com diagnóstico ou suspeita do transtorno repudiaram o vídeo.

De acordo com o Metrópoles, o Movimento Orgulho Autista Brasil (Moab) registrou um boletim de ocorrência à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que investigará o caso.

A organização não-governamental afirmou que a fala do criador de conteúdo apresenta “ódio, pois demonstra o que o [criador de conteúdo] pensa de uma pessoa autista, e não da política”. A ONG explicou que denúncias do tipo são constante, e que a discriminação "é um grave problema no DF".

“Nós recebemos por meio eletrônica a denúncia de uma mãe, que se sentiu muito humilhada porque o vídeo estava dizendo que para saber se seu filho é autista bastava colocar a urna eletrônica na frente e se ele digitar o número tal aí ele é autista. Então, isso é humilhar. É colocar o autista abaixo das relações humanas”, disse o diretor-presidente do Moab, Edilson Barbosa.

Os perfis onde o vídeo havia sido postado não estão mais disponíveis. O Metrópoles informou que tentou contatar o usuário, mas não obteve êxito.