Criadores de vison da Dinamarca: arrasados com desaparecimento do setor por covid-19

Camille BAS-WOHLERT
·3 minuto de leitura
Placa sinaliza em dinarmaquês: "Sem acesso - risco de Covid-19" em criadouros em Hjorring, na Dinamarca
Placa sinaliza em dinarmaquês: "Sem acesso - risco de Covid-19" em criadouros em Hjorring, na Dinamarca

Alguns tiveram de matar seus animais, outros resistem antes de ter de sacrificá-los. Os criadores de vison da Dinamarca vivem horas sombrias, após a polêmica ordem de eliminar milhões destoe mamíferos, devido a uma mutação do coronavírus.

No sábado, vários criadores descontentes, e seus apoiadores, planejam fazer uma demonstração com seus tratores nas duas maiores cidades do país, Copenhague e Aarhus.

“Estamos em estado de choque”, disse Marianne Nørgaard Sørensen. "Palavras não podem descrever o pesadelo que estamos sofrendo", disse a mulher à AFP.

Casada com um criador de visons desde 1993, esta professora de 46 anos mora na Jutlândia do Norte, a parte norte do país com o maior número de incubatórios. Seus 27.000 animais foram sacrificados com urgência, no início de novembro.

“Escrevemos à autoridade veterinária para pedir o prazo de dois dias, mas eles vieram imediatamente (...) Foi muito difícil, o vídeo do abate apareceu online, poderiam ter feito de forma humana”, lamenta.

- Decepção política -

A Dinamarca é a rainha dos visons há décadas, um setor que surgiu entre os agricultores na década de 1930 para lidar com a queda dos preços dos alimentos.

Com três vezes mais visons do que habitantes, o pequeno reino nórdico é o maior exportador mundial do setor, com um total de 670 milhões de euros por ano, e segundo produtor atrás da China.

Este animal apreciado pelo setor de luxo apresenta problemas na luta contra o covid-19: não só pode contrair a doença, como também reinfectar humanos.

No início de novembro, o governo dinamarquês ordenou, em tom alarmista, o sacrtifício de todos os visons do país, de 15 a 17 milhões de animais. O motivo: uma mutação do novo coronavírus que pode potencialmente ameaçar a eficácia de uma nova vacina humana, embora ainda haja grande incerteza.

O executivo acabara de saber que essa cepa, chamada de "Cluster 5", havia sido detectada em 12 pessoas em agosto e setembro na Jutlândia do Norte, para a qual decretou estritas restrições locais ao movimento de pessoas. Desde então, não houve novos casos.

Na quinta-feira, as restrições foram finalmente suspensas e as autoridades consideram que a cepa "muito provavelmente foi extinta".

Em Copenhague, o caso se transformou em decepção política: o governo teve que reconhecer que não tinha base legal para ordenar o abate de animais saudáveis, o que levou à renúncia do ministro da Agricultura na quarta-feira e sérias críticas na opinião pública.

Mas o abate geral continua sendo uma medida "inegociável", devido a outras possíveis mutações, de acordo com a primeira-ministra Mette Frederiksen, que planeja aprovar um texto no Parlamento que proíbe os incubatórios até 1º de janeiro de 2022.

- Tradição familiar -

Apesar disso, em outro local de Jutlândia, Erik Vammen mantém seus animais vivos.

“À noite, quando vejo o farol de um veículo que se aproxima, fico com medo”, diz esse homem de 60 anos, que herdou um criadouro do pai e do avô.

Ele não se ilude: "Se eu não os mato, alguém fará isso no meu lugar".

A atividade voltará a ser possível em 2022, mas poucos garantem que renasça: serão necessários mais de dez anos para reconstituir um número suficiente de visões com pelos de qualidade.

"Não há esperança para o futuro", se desespera Marianne Nørgaard Sørensen.

A infelicidade do setor causa, inversamente, a alegria das associações de proteção animal.

Durante anos elas denunciaram estes criadouros, que consideram cruéis e inúteis, com os animais amontoados em pequenas gaiolas.

"Acho que nunca mais veremos fazendas de visons na Dinamarca", comemora Joh Vinding, diretor da ONG Anima.

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