Criança é morta por bala perdida no réveillon e perícia da polícia ainda não foi feita, dizem parentes

Descrito por parentes como um menino alegre que adorava olhar para o céu e sonhava em ser astrônomo, Juan Davi de Souza Faria, de 11 anos, foi atingido por um tiro na cabeça quando subiu em uma cadeira, na varanda da sua casa, em Mesquita, na Baixada Fluminense, para contemplar o espetáculo provocado pela queima de fogos nos primeiros minutos do dia 1° de janeiro. Segundo parentes, mais de 24 horas após o menino ser ferido por uma bala perdida e perder a vida, a Polícia Civil ainda não havia feito uma perícia na residência para tentar saber de onde partiu o tiro que matou Juan.

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— Soubemos pela televisão que a polícia está investigando, mas até agora ninguém apareceu lá na casa. A polícia tem que agir e fazer o trabalho dela. Não foi feita a perícia e a gente não sabe de onde veio a bala — disse Jhonatan Damásio, de 29 anos, companheiro de Luís Felipe Alves, primo do menino.

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A Polícia Civil informa que a perícia não foi realizada, "pois o local havia sido desfeito". Em nota, diz ainda que a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) está ouvindo testemunhas e que outras diligências estão em andamento para apurar a origem do disparo que atingiu a vítima.

Juan Davi foi levado ainda com vida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Edson Passos, em Mesquita, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. A mãe do menino, Beatriz de Souza, não mora com o pai da criança. Durante o velório do filho ela estava muito abalada. Juan foi aprovado para o 6° ano do ensino fundamental. A escola onde o garoto estudava chegou a fazer uma postagem em uma rede social, lamentando o acontecido. Primo de Juan, Luís Felipe estava na casa no momento em que a criança foi baleada. Ele disse que inicialmente chegou a pensar que o garoto havia se cortado com uma garrafa de champanhe.

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— A gente não escutou o disparo. Foi como se um vidro tivesse quebrado. A gente até pensou que uma garrafa de espumante tivesse estourado cortando ele. Quando olhei, vi a garrafa inteira e o menino no chão praticamente sem vida, todo ensanguentado. Neste momento, nós deduzimos que tinha sido um disparo. Todo ano a gente ficava ali na varanda vendo a queima de fogos. Agora não existe mais Natal nem ano novo pra gente — disse Luís Felipe, que tratava Juan como se fosse filho.

— Meu filho era muito animado. Eu o considerava como um filho. Ele adorava contar e dançar. Fazia até vídeos e postava — disse chorando.

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Juan Davi foi sepultado, nesta segunda-feira, no Cemitério de Olinda, em Nilópolis. Alguns parentes e amigos que acompanharam o sepultamento usavam uma camisa com a foto do menino, em que ele aparece com asas de anjo, numa homenagear. Na parte de trás, a blusa tinha a inscrição: "O amor será infinito. Tudo o que imaginei viver com você estará guardado no meu coração. Sei que agora está olhando pra gente aí de cima. Luto, meu anjinho Juan".

Ao enterrar o filho, Beatriz disse chorando:

— Meu Deus, me ajuda Senhor. Não quero ir embora. Quero ficar com meu filho.

Procurada sobre a demora na perícia, a Polícia Civil não retornou até a publicação desta matéria;