Crianças à espera de um lar participam do evento 'Braços Abertos para Adoção', na Zona Sul

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Para o estudante Alex Albano, de 16 anos, ganhar um padrinho foi um dos melhores acontecimentos de 2021. Acolhido no abrigo Casa Social Renascer, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, desde os 12 anos, a figura do padrinho tem o mesmo significado que o de um pai, diz ele. Alex é uma das 1.446 crianças e adolescentes acolhidos em abrigos ou com famílias provisórias no estado do Rio à espera de um lar definitivo. Nesta manhã de quinta-feira, 49 dessas crianças foram à Igreja de São José, na Lagoa, Zona Sul do Rio, para dar foco à campanha "Braços Abertos para Adoção", do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), do Trem do Corcovado e do Santuário Cristo Redentor.

— Meu sonho sempre foi ter um padrinho que fosse um pai para mim, coisa que eu não tive em toda a minha infância e sentia muita falta. Eu saio com ele, brinco, caminho, é minha atividade preferida, aliás. Gosto da nossa relação porque é uma companhia para mim e me dá conselhos — lembra Alex, quando fala de José Carlos, que se tornou padrinho dele após procurar o abrigo do menino.

No evento, estavam presentes crianças de 4 a 17 anos. Além de reforçar a importância da adoção, os meninos receberam a bênção do Padre Omar, que celebrou uma missa às 10h, e o Papai Noel levou presentes, obtidos por meio de doações, para as crianças e adolescentes presentes na cerimônia.

— Nós queremos que o nosso jeito de ser carioca e brasileiro, com o olhar afetuoso, possa inspirar as pessoas a fazerem parte da adoção e em trazer à sociedade a importância do amparo para a criança. É um abraço, um carinho. Faz a diferença.

Deste total de 1.446 crianças e adolescentes, 284 estão disponíveis para doação, ou seja, não há nenhum processo na Justiça para a guarda dos menores. Outros 475 estão em contato com familiares requerentes.

O motivo para chegar até a fila varia. Há aqueles que são recolhidos nas ruas por equipes de assistência social do município; os que são encaminhados para alguma unidade de abrigo pelo próprio familiar, por não haver condições de sustento; aqueles que, por maus tratos dos responsáveis, são recolhidos pela Justiça e encaminhados a abrigos, entre outros.

O presidente do TJRJ, Henrique Figueiredo, destaca que, neste ano, o número de doações pela maior vara do estado chegou a um patamar excepcional mesmo em um período de pandemia:

— É importante que a gente conscientize a sociedade sobre a importância da doação. Somente na 1ª Vara Criminal aqui do Rio, que é a maior, a gente fez de 10 a 15 adoções por mês, em um ano de Covid-19, o que é excepcional. Apesar do número de pedidos ter caído, por causa da demora do processo e pela necessidade de ver a relação entre família e criança, esse é um ótimo cenário. Poderia ser melhor, sempre pode, mas já é bom.

O maior número na fila de adoção está entre as idades de 12 a 15 anos, com 70 menores, seguido dos de 15 anos ou mais, com 59 na fila. Logo após vem 53 crianças de até 3 anos, 36 de 3 a 6 anos, e 33 de 6 a 9 anos, o mesmo número que de 9 a 12.

Nessa fila, está a estudante Jennifer Lima, de 17 anos. Há um ano ela se recuperou do uso de drogas. Antes em situação de vulnerabilidade, ela foi recolhida pela equipe de assistência social e encaminhada para o abrigo Casa Comunitária, em Duque de Caxias, onde ficou definitivamente este ano, após passar duas vezes pelo local. Ela diz que o abrigo foi fundamental para ela, pela rede de apoio que foi criada para a sua recuperação. Mês que vem, ela completa 18 anos, e precisará deixar a Casa. Para ela, a sensação é de gratidão:

— Lá eu tenho quatro irmãos, que considero de sangue, mas são de consideração. Cresci muito no abrigo. Estou cuidando da minha saúde por causa deles. Sou uma pessoa muito melhor do que quando cheguei. Agora quero fazer planos de conseguir continuar estudando e ser advogada. Faz diferença ter um apoio por perto, seja de onde for.

Thayane Fonseca, de 17 anos, vive com outros três irmãos menores em um lar de uma família acolhedora, selecionada pela equipe de assistência social para serem voluntários. Eles chegaram até eles após terem sido levados para um abrigo, na estrada do Magarça, na Zona Oeste do Rio, ainda pequenos. Ela conta que ser adotado é um privilégio, e gostaria que outros casos se repetissem em maior número:

— Tem muitas crianças em abrigos e ruas que estão em uma idade avançada e não conseguem a adoção. Muitas famílias querem alguém ainda pequeno. E falta isso, um olhar de mais cuidado para esses que também precisam de uma família, de um lugar para chamar de seu. Quero que, em 2022, os pais adotivos que estão à espera tenham em mente que essas crianças também têm o direito de ter um lar.

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