Criminalidade e inflação afetam apoio ao chileno Boric em primeiro ano difícil

Presidente do Chile, Gabriel Boric

Por Natalia A. Ramos Miranda

SANTIAGO (Reuters) - Carmen Villegas, de 56 anos, dona de casa em Santiago, foi uma dos milhões de chilenos que votaram em Gabriel Boric em 2021, levando o jovem líder ao palácio presidencial em meio ao otimismo sobre seus planos de reduzir a profunda desigualdade.

Mas, quase um ano depois de assumir o cargo em março de 2022, Boric, de 36 anos, agora está descobrindo os percalços da liderança, com eleitores como Villegas ficando desencantados em meio à inflação que prejudica o poder de compra das pessoas e ao aumento da criminalidade.

O índice de aprovação do presidente chileno caiu pela metade, de cerca de 50% quando ele assumiu o cargo para 25%, mostram dados do instituto de pesquisa Cadem, com muitos chilenos reclamando de sua condução da economia e dizendo que seu governo tem sido brando com a cirminalidade.

"Há muito caos, especialmente quando se trata da insegurança", disse Villegas. “Queria dar chance a um jovem, sem os problemas dos políticos mais velhos”, afirmou ela. "Mas ele não tem feito bem as coisas."

Os baixos índices de Boric representam um desafio para o líder progressista --e um alerta para outros políticos de esquerda regionais-- depois que ele fez campanha com planos para sacudir o modelo econômico orientado para o mercado do país, promover reformas tributárias e de mineração e fortalecer a regulamentação ambiental.

O país, um dos mais estáveis historicamente da região, viu os homicídios crescerem 43% em 2022 e os sequestros 77%, segundo dados da polícia. Nos últimos anos, o Chile registrou um salto no crime organizado, aparentemente relacionado ao narcotráfico.

Isso acontece em meio a um cenário econômico difícil. A inflação foi de 13% no ano passado, a maior desde 1991.