Criminosos invadem Araçatuba (SP) para assaltar bancos, fazem reféns e deixam três mortos

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ARAÇATUBA. 30/8/2021 - Loja de brinquedos que foi atacada pelos criminosos. Criminosos invadem Araçatuba (SP) para assaltar bancos, fazem reféns e deixam três mortos.  (Foto: Clayton Khan/Folhapress)
ARAÇATUBA. 30/8/2021 - Loja de brinquedos que foi atacada pelos criminosos. Criminosos invadem Araçatuba (SP) para assaltar bancos, fazem reféns e deixam três mortos. (Foto: Clayton Khan/Folhapress)

SÃO PAULO, SP, ARAÇATUBA, SP (FOLHAPRESS) - Criminosos fortemente armados invadiram Araçatuba, a 521 km de São Paulo, na madrugada desta segunda-feira (30), espalhando o terror na cidade de quase 200 mil habitantes. O grupo explodiu três agências bancárias, fez moradores reféns, disparou bombas e ateou fogo em veículos durante a fuga.

Ao menos três pessoas acabaram mortas na ação, e outras quatro ficaram feridas —três estão em estado grave elas foram levadas para a Santa Casa local. Segundo a Polícia Militar, um morador de rua foi atingido pela explosão de uma das bombas deixadas nas ruas e teve os pés e uma das mãos decepados.

Pedestres e motoristas foram abordados pela quadrilha e feitos reféns na hora da fuga. Vídeos que circulam pelas redes sociais mostram pessoas sentadas no meio da rua, andando a pé e amarrados em tetos de carros, como escudos humanos.

Após a ação, a quadrilha fugiu em direção ao bairro rural Engenheiro Taveira. Até o momento, as autoridades não divulgaram quanto dinheiro foi roubado. As investigações serão conduzidas pela Polícia Federal, com apoio das polícias estaduais.

De acordo com as polícias, os criminosos conseguiram levar dinheiro das agências da Caixa e do Banco do Brasil. Esta última é uma unidade regional que armazena o dinheiro recolhido de outras agências da região (Seret).

Isso explica a quantidade de maços com notas de pequeno valor (R$ 5) deixados para trás pelos criminosos, em um dos veículos usados no ataque.

De acordo com a polícia, houve confronto com os criminosos e trocas de tiros em ao menos dois locais de Araçatuba. Até a manhã desta segunda-feira (30), três suspeitos haviam sido identificados —um morreu, outro ficou ferido e um terceiro foi detido.

Cerca de 380 policiais, entre civis e militares, estão na cidade para tentar prender outros integrantes da quadrilha e avançar nas investigações. O comandante-geral da PM, Fernando Alencar Medeiros, também se deslocou para o local.

Dois helicópteros da PM sobrevoam a região e equipes do Gate, especialistas em explosivos, estão analisando o material deixado pelos bandidos. Sabe-se, até agora, que os criminosos usaram Metalons, uma espécie de superdinamite caseira, que foram acionados a distância por celulares.

Foram deixados bombas em pelo menos 20 pontos da cidade, incluindo um caminhão carregado com emulsão explosiva em frente a uma das agências que foram atacadas, segundo a polícia.

Durante a fuga, os criminosos deixaram para trás munição e armas de fogo, dentre elas fuzis calibre .50 e 7.62 mm, além de “miguelitos”, que são artefatos de metal utilizados para furar pneus de veículos.

Até o momento, a polícia confirma a mortes de três pessoas na ação, entre elas um criminoso e um homem que estava dentro de um carro filmando a ação dos bandidos. Ele teria levado a esposa para casa e retornou para registrar o que estava acontecendo na cidade.

A exemplo do que aconteceu em outros ataques semelhantes, a quadrilha atirou para o alto, usou explosivos e colocou fogo em veículos para dificultar o acesso dos policiais. Rodovias foram bloqueadas por veículos incendiados e motoristas tiveram dificuldade de acesso à cidade. Além disso, o grupo utilizou um drone para monitorar a movimentação.

Segundo o coronel Camilo, secretário-executivo da PM paulista, mais de 20 criminosos e 10 dez veículos estiveram envolvidos na ação. "Nesse momento na região de Araçatuba temos entre 350 e 400 homens e dois helicópteros Águia. Estamos vasculhando toda cidade", disse o coronel.

A quadrilha também abandonou carros usados no roubo em rodovias da região. A polícia suspeita que os criminosos trocaram de veículos para escapar.

A ação surpreendeu quem circulava pela cidade durante a madrugada. "Mais de 70 pessoas ficaram na minha loja. Nós nem dormimos. O centro está lotado de bombas, todo mundo ficou com muito medo. Provavelmente, quem trabalha no centro não vai conseguir fazer nada hoje", disse o empresário Arnaldo Santos, dono de uma loja de skate e um bar. Há bombas abandonadas nas esquinas junto aos estabelecimentos dele.

A jornalista Priscila Andrade, que mora no centro, próximo ao local do ataque, ficou uma hora e meia abaixada dentro de casa para se proteger dos tiros.

"Foi assustador, nunca passei por algo assim na vida. Os criminosos estavam fortemente armados e atirando para que as pessoas não saíssem às ruas. Foi como um filme de terror", disse ela, que chegou a fazer uma live na madrugada para relatar o caso.

O prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), pediu que a população fique em casa nas próximas horas para não correr riscos. As aulas nas escolas municipais e estaduais foram suspensas nesta segunda.

"Peço que a população se mantenha em casa. O mais importante é preservar as vidas das pessoas", disse.

A Associação Comercial de Araçatuba também orientou que as lojas não abram as portas na região central, já que existem várias bombas instaladas em diferentes ruas da cidade.

Linhas de ônibus foram deslocadas para não passarem pela região central e um posto de vacinação na localidade foi fechado.

Em outubro de 2017, uma quadrilha assaltou uma empresa de transporte de valores na cidade e matou um policial civil durante a ação. Os assaltantes utilizaram explosivos para abrir o cofre da empresa e, durante a fuga, atiraram no quartel da Polícia Militar e colocaram fogo em dois caminhões na rodovia Marechal Rondon para impedir a perseguição de policiais.

Araçatuba, que tem cerca de 200 mil habitantes, é a 33ª cidade atacada desta maneira desde 2018. Assaltos desse tipo, realizados por quadrilhas especializadas, fazem parte do chamado “novo cangaço”. São praticados por criminosos fortemente armados, em grupo de 15 a 30 homens, que chegam a cidades de pequeno e médio portes, durante a madrugada, em comboios de veículos potentes.

Em julho deste ano, uma quadrilha fortemente armada invadiu Jarinu, a 75 km da capital paulista, para assaltar uma empresa do ramo de joalheria localizada em uma chácara, na zona rural da cidade. Ninguém ficou ferido.

Durante a fuga, houve troca de tiros entre a quadrilha e a polícia na altura de Campo Limpo Paulista e na estrada entre Jarinu e Atibaia.

Em abril deste ano, uma quadrilha atacou agências bancárias, atirou em lojas e em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) em Mococa (a 267 km da capital). Mascarados e atirando para cima e em direção ao comércio local, os criminosos usaram explosivos para roubar o cofre de uma agência da Caixa Econômica Federal.

Ações semelhantes ocorreram recentemente em Criciúma (SC), Cametá (PA) e em cidades do interior de São Paulo, como Araraquara, Botucatu e Ourinhos.

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