Criminosos invadem Guarapuava (PR) para assaltar empresa de transporte, atacam a polícia e espalham terror

·4 min de leitura

SÃO PAULO, SP, E GUARAPUAVA, PR (FOLHAPRESS) - Criminosos fortemente armados atiraram contra um batalhão da Polícia Militar, incendiaram carros e caminhões, fizeram reféns e espalharam terror em Guarapuava, no Paraná, na noite deste domingo (17). A ação deixou dois policiais feridos –um deles está na UTI com lesão no crânio. Um morador também foi atingido por um tiro, mas não corre risco.

Os criminosos tentaram chegar ao caixa-forte da empresa Proforte, mas fugiram ao perceber a chegada dos policiais. Antes disso, fizeram várias ligações para o 190 informando crimes falsos para tentar confundir os policiais.

Cerca de 30 criminosos abandonaram ao todo oito veículos, entre eles alguns blindados. Também foram recolhidos sete fuzis, uma arma .50, pistolas, dinamites, quatro capacetes balísticos, mochilas com remédios e mantimentos para fuga.

"O sangue nos veículos abandonados aponta que há bandidos feridos", disse o secretário de Segurança Pública, Romulo Soares.

De acordo com Soares, os suspeitos podem ter ligação com quadrilhas que agiram de forma idêntica em Araçatuba (SP) e Criciúma (SC).

A reação ao ataque envolveu cerca de 200 policiais da região e três helicópteros. A polícia estima que deve estender por ao menos quatro dias a busca mais intensa dos suspeitos pelas cidades da região.

Segundo a polícia, no momento do crime não havia ninguém na empresa de valores. As investigações estão sendo conduzidas pelas polícias Civil e Militar do Paraná.

O Exército usou um veículo blindado para garantir a segurança de instalações militares. A 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada utilizou o Guarani para para transportar um efetivo de militares do 26º Grupo de Artilharia de Campanha, em Guarapuava, para reforçar a segurança de instalações de administração militar fora do perímetro do quartel.

De acordo com o comandante do batalhão da PM de Guarapuava, tenente-coronel Joas Lins, a cidade pode ter sido escolhida pela quadrilha por seus vários acessos a rodovias e também pela quantidade de dinheiro na empresa de valores. "A situação agora está normal, e a cidade está pacificada."

O prefeito de Guarapuava, Celso Goes (Cidadania), relatou momentos de terror. " Os pais já podem levar seus filhos para escola. Foi muito tenso, houve muitas rajadas de metralhadora, tiros e não estamos acostumados com isso. Ficamos apavorados."

Moradores da cidade na região central do Paraná narraram o ataque nas redes sociais. "Quando cheguei em casa, ouvimos barulhos de estouros. Achamos que era um foguete por se tratar da Páscoa, mas depois percebemos que eram tiros", conta o estudante universitário Henrique, que preferiu não falar o sobrenome e mora perto do batalhão atacado pelos criminosos.

Ele e a família se trancaram em casa até a situação se acalmar e, assim como outras pessoas, receberam vídeos que mostram veículos pegando fogo, tiroteio e o batalhão da polícia atacado.

Os ataques começaram por volta das 22h de domingo e terminaram no início da madrugada, quando os moradores relatam não terem mais ouvido barulhos de tiros ou explosões. Os criminosos fugiram em direção ao interior do estado.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal do Paraná, o trânsito foi interditado nos kms 353 e 330 da rodovia BR 277 por dois caminhões incendiados pelos criminosos. Os bloqueios faziam parte da estratégia de ação do bando.

A atriz Larissa Manoela, 21, nascida em Guarapuava, afirmou nas redes sociais que ficou com o coração apertado ao saber o que aconteceu em sua cidade. "Eu estou com vocês. Família, amigos, se protejam", disse.

Ações desse tipo acontecem com frequência desde 2018, são realizadas por quadrilhas especializadas e fazem parte do chamado novo cangaço. São invasões de cidades de pequeno e médio porte por criminosos fortemente armados, em grupos de 15 a 30 homens, que chegam durante a noite ou madrugada em comboios de veículos potentes.

Em agosto do ano passado, uma quadrilha fez uma das ações mais agressivas do novo cangaço ao invadir Araçatuba, a 521 km de São Paulo. O grupo explodiu e roubou duas agências bancárias, fez moradores reféns, disparou bombas e ateou fogo em veículos durante a fuga. Três pessoas morreram na ação e outras quatro ficaram feridas.

O ministro da Justiça, Anderson Torres, disse nesta segunda-feira (18) que esses ataques configuram um tipo de "terrorismo". Também pediu mudança na legislação atual para aumentar a pena para essas ações.

"É um crime gravíssimo, é um crime que nós não temos como dizer que você chegar numa cidade, incendiar uma cidade, tocar fogo em banco, na polícia, que isso não causa um terror naquelas pessoas. Isso na nossa opinião é um tipo de terrorismo e a gente precisa realmente jogar duro com isso. Isso porque as pessoas estão sofrendo, o povo está ficando extremamente assustado com isso e o Estado não pode permitir esse tipo de coisa", afirmou Torres, ao chegar para sessão no Senado para comemorar o aniversário de Brasília.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos