Criminosos no Alemão estavam com roupas similares as das polícias, diz comandante do Bope

Durante coletiva sobre a ação no Complexo do Alemão representantes das Polícias Militar e Civil lamentaram a morte do cabo Bruno Costa e de Letícia Marinho Salles, de 50 anos, que morreram durante os confrontos. De acordo com as corporações, a operação foi planejada e escolhido uma dia e horário "para evitar ao máximo o confronto". Ao todo, segundo a Polícia Militar, 18 pessoas morreram na ação, sendo 16 suspeitos. Segundo o tenente-coronel Uirá Nascimento, comandante do Batalhão de Operações Especiais (BOPE), criminosos usavam roupas parecidas com as das políciais do Rio:

— O Bope, juntamente com a Core, e com o apoio final da PRF, fizemos a ação de hoje. Tínhamos informações de inteligência de que aquela quadrilha pudesse fazer movimentações criminosas, e agimos de forma muito rápida. Criminosos estavam com roupas similares às das polícias para cometer atentados dentro da nossa cidade, como roubos a instituições financeiras e invasão a comunidades rivais — afirmou o comandante do Bope.

— A reação da polícia depende da ação dos criminosos. Desde o início, quando chegamos, havia várias barricadas com fogo. Nossas equipes foram violentamente atacadas. Há registros inclusive de tiros traçantes em direção a aeronaves. Em razão disso, a polícia precisa agir para proteger as próprias vidas e a sociedade — completou o Delegado Fabrício Oliveira, titular da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Conhecido como “matador de policiais” no estado do Pará, Hideraldo Alves, de 27 anos, deu entrada na UPA do Alemão com a identificação de Adriano Castro Pires, ferido a tiros nas pernas. Com mandado de prisão em aberto, “Esquilo”, como é chamado, está sob custódia da Polícia Militar e permanecerá preso. Durante a coletiva, a polícia afirmou que investiga se o homem tem relação ao roubo a uma joalheria em um shopping de luxo no início do mês,

Representantes das forças de segurança também afirmaram que os criminosos utilizam táticas de guerrilha para tentar evitar o avanço das polícias no território:

— Há um tipo de barricada mais reforçada que está sendo usada no Complexo do Salgueiro, no Complexo da Penha e no Complexo do alemão. Tem que ser um compromisso da polícia e de todas as organizações públicas e da sociedade combater esse tipo de prática. É uma doutrina militar colocar um obstáculo na via e proteger com poderio bélico. Há também Tática de guerrilha, com óleo jogado em ladeira, e tática de terrorismo, usando pessoas como escudo — afirma Fabrício Oliveira, comandante da Core.

As polícias também afirmaram que um monitoramento nas redes sociais mostrou que os traficantes da região convocaram mototaxistas de outras áreas para "gerar instabilidade" no local. Foram apreendidas 48 motos na região.

— Sabemos que excessos podem acontecer e são investigados. Que erros podem acontecer também. Mas as pessoas que vão pra rua fazer baderna são simpáticas ao tráfico. É evidente que se houver críticas e denúncias ao trabalho da polícia elas serão apuradas. Mas o que estamos falando é que os criminosos, de maneira descarada, estão obrigado parte da população, em especial essa parcela simpática a eles, a se movimentar e causar desordem para que eles consigam fugir e interromper a operação — diz Oliveira.

Ao longo do dia a Defensoria Pública do Rio divulgou uma lista com 15 pessoas que teriam morrido durante a ação. No documento há o nome de 12 mortos, a menção de três homens sem identificação e duas pessoas feridas. O nome do cabo Bruno Costa, morto durante os confrontos, não foi citado.

De acordo com as secretarias de Saúde, cinco mortos estão na UPA do Alemão e dois no Hospital Estadual Getúlio Vargas, o que aumentaria o número de óbitos comunicados pela PM para sete. Embora ainda não tenham sido identificados pela polícia, mais três corpos chegaram à UPA no início desta tarde. Com os nomes já identificados no Hospital Getúlio Vargas, o número de mortos na operação, somando a lista enviada pela Defensoria Público, chegaria a 17.

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