Criminosos prendem e agridem funcionários da Supervia em assalto a trem de manutenção

Sete funcionários da concessionária Supervia foram alvos de uma ação criminosa na madrugada da última terça-feira. Três assaltantes armados com fuzis e granadas invadiram o trem de manutenção entre as estações de São Cristóvão e Praça da Bandeira e prenderam os funcionários por cerca de uma hora. Durante a ação, que teve início por volta das 3h, os criminosos agrediram os funcionários com tapas e socos, roubaram pertences e chegaram a ameaçá-los com o lançamento de granadas.

Além dos itens pessoais, como celulares, carteiras e relógios, os assaltantes também levaram uma caixa com as ferramentas utilizadas no serviço de manutenção. Os funcionários já foram afastados da rotina de serviço e recebem assistência psicológica de uma equipe especializada da Supervia. O caso foi registrado na 17ª DP (São Cristóvão). De acordo com a Polícia Civil, as investigações para identificar a autoria do crime estão em andamento.

O crime aconteceu durante o período em que a concessionária não oferece serviço de passageiros. Entre 00h e 4h, apenas os trens de manutenção circulam pela linha férrea. Nesse caso, as equipes de segurança interna da Supervia foram notificadas da ocorrência somente após a evasão dos bandidos, que fugiram pelos trilhos.

De acordo com o diretor de Manutenção da Supervia, Roberto Fischer, casos similares ao da última terça-feira foram registrados outras vezes nos últimos anos e colocam em risco a integridade física e psicológica de funcionários e passageiros.

— Infelizmente essas ocorrências não são inéditas. Tivemos algumas em um passado recente, e, de um ano para cá, a gente observa um aumento das interferências externas, tanto em furtos de componentes da ferrovia quanto esse tipo de ação criminosa perante nossos colaboradores. Nossa equipe de segurança não anda armada, não pode prender, então a gente procura passar para os órgãos de segurança pública onde estão acontecendo as manchas criminais e pedir apoio a esses órgãos — diz o diretor.

Um dos fatores atribuídos pelo diretor ao problema da insegurança está relacionado à rota da linha férrea, que, segundo ele, passa por regiões com alto índice de criminalidade.

— Passamos por em torno de 100 comunidades do subúrbio. Dessas, 30 são bem complicadas, com atuação de milícia e tráfico. São locais em que a gente tem esses problemas, que são uma exposição da violência para os passageiros e colaboradores. A linha ferroviária tem mais de 150 anos. O que era zona rural viraram grandes comunidades e a gente passa no meio delas — explica.

Entre 2019 e 2022, outras três ocorrências parecidas foram registradas pela Supervia, segundo os dados da concessionária. Em setembro de 2019, criminosos invadiram a cabine de um trem nas proximidades da estação Manguinhos. Seis homens armados, que diziam estar fugindo da polícia, obrigaram o maquinista a seguir viagem com eles.

Em outubro de 2020, um trem de manutenção executava serviço de reparo no Jacarezinho quando no mínimo dez homens abordaram os funcionários e pediram para serem transportados do local até a região da Mangueira. Em março de 2021, bandidos armados invadiram um trem na estação de Vigário Geral, mandaram os passageiros desembarcarem da composição e seguiram viagem.

Em nota, a Polícia Militar esclareceu que o Grupamento de Policiamento Ferroviário (GPFer) realiza “policiamento ostensivo em toda a malha ferroviária do Rio de Janeiro diuturnamente”. No entanto, há maior foco nos horários de pico das estações de trem.