Crise da água: 28 bairros do Rio ainda têm relatos de gosto ruim

Geraldo Ribeiro
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Francisco diz que loja ainda vende até 50 galões de água por dia, o dobro de antes da crise

Passados dois meses do início da crise da água da Cedae, muitos cariocas ainda se sentem inseguros para consumir a água da torneira. Nas redes sociais, ainda é possível encontrar relatos de moradores de pelo menos 28 bairros do Rio e três municípios da Baixada sobre problemas. A principal queixa é com relação ao gosto ruim, que, segundo moradores que responderam a uma enquete no Facebook do EXTRA, permanece.

“Moro em Campo Grande, já limpei a caixa d’água e a água continua com gosto ruim. Estamos comprando mineral ainda, infelizmente”, postou um internauta. “Em Santa Teresa o cheiro diminuiu um pouco, mas o gosto continua horrível”, escreveu outra. “A água em Ricardo de Albuquerque continua com um gosto péssimo. Lavei a minha caixa d’água e dias depois fui lá ver como estava e, para minha surpresa, tinha uma espuma branca horrível”, relatou uma terceira.

Os bairros onde ainda há relatos de problemas são: Maria da Graça, Cachambi, Ricardo de Albuquerque, Oswaldo Cruz, Higienópolis, Del Castilho, Abolição, Vista Alegre, Vaz Lobo, Coelho Neto, Vila da Penha, Vila Isabel, Irajá, Tijuca, Méier, Santa Teresa, Estácio, Rio Comprido, Copacabana, Leme, Taquara, Campo Grande, Santíssimo, Bangu, Realengo, Guaratiba, Santa Cruz e Senador Vasconcelos. Juntos, eles somam mais de 2,1 milhões de habitantes. Também há relatos de problemas com a água em Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São João de Meriti, na Baixada.

Nos supermercados, não há mais correria para estocar garrafas, como no auge da crise, mas a procura continua grande. Francisco Carvalho, de 65 anos, balconista de um bazar no Bairro de Fátima, contou que 20 dias atrás vendia cerca de 80 galões por dia. Hoje, a procura está entre 40 e 50, ainda assim o dobro de antes da crise.

— É sinal de que as pessoas ainda não estão muito confiantes na qualidade (da água da Cedae) — acredita.

Nilson Nunes de Souza, de 71 anos, morador em Santa Teresa, deixou ontem o supermercado no Bairro de Fátima, levando três embalagens com seis garrafas de um litro e meio cada. A despesa mensal só com água mineral, segundo ele, é em torno de R$ 300.

— A água da torneira está clara, mas ainda tem gosto de terra. Não confio — afirma.

Naggme Dias, de 28 anos, moradora no Catumbi, também sente cheiro e gosto ruins.

— É um absurdo que tanto tempo depois ainda não tenham tomado uma providência para resolver em definitivo o problema — cobra.

Um dos primeiros a denunciar o problema, José Airton Amorim, de 53 anos, ainda está inseguro para consumir água da torneira onde mora, São Cristóvão:

— Há um mês fiz um pedido de análise da água à Cedae. Funcionários foram na minha casa, colheram amostras e prometeram dar um laudo em dez dias. Até hoje não entregaram.

Procurada, a Cedae afirma que a água fornecida pela companhia está própria para consumo, como comprovaram testes. “Não há mais problema referente a gosto e odor”, diz.