Crise da Americanas: Bancos já articulam recusar desconto elevado de dívida

A entrada da Americanas em recuperação judicial marca uma nova etapa na crise da companhia. Mas, segundo fontes que acompanham o processo, ao menos uma coisa é certa: o conflito com os bancos deve continuar.

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A empresa declarou à Justiça R$ 43 bilhões em dívidas e conta com 16.300 credores. Os bancos estão entre os principais. A varejista tem 60 dias para apresentar um plano de recuperação judicial, que precisará ser aprovado em assembleia pelos credores.

Já há conversas entre eles no sentido de buscar formar maioria para recusar qualquer plano de recuperação judicial que imponha deságios elevados aos credores. A expectativa entre as instituições financeiras é que ela proponha abatimento de 80% a 90%.

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Um sintoma da beligerância no processo é o fato de que os grandes credores têm contratado escritórios especializados em insolvência que costumam atender os devedores. O exemplo mais notório é o BTG, que contratou a banca Galdino&Coelho, que já atendeu Casa&Video, Eneva e Galvão Engenharia.

Em outra frente, a varejista ainda terá de lidar com a articulação de processos no país e no exterior, que buscam responsabilizar diretoria e os acionistas de referência, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, os criadores da 3G.

Na noite de domingo, eles divulgaram uma nota pública na qual afirmam que não sabiam da manobra contábil no balanço, que esperam ser possível fechar um acordo com os credores e que vão trabalhar pela recuperação da companhia.

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Para Salvatore Milanese, sócio da consultoria Pantalica Partners, a tendência é que a Americanas apresente um plano que proponha deságios elevados, acima de 75%.

— O passivo da Americanas hoje é muito maior do que os ativos. A venda de ativos, como por exemplo as redes Hortifruti e Natural da Terra, não bastaria para pagar os credores. Os descontos propostos vão ser bem agressivos — diz.

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Para Ronaldo Vacconcellos, professor da Faculdade de Direito do Mackenzie e sócio do escritório VH Advogados, é possível que os credores apresentem um plano alternativo (caso não aceitem o desconto previsto na proposta elaborada pela empresa).