Crise da Americanas: BNDES procedeu cobrança de fianças bancárias

O BNDES informou que procedeu, nesta segunda, a cobrança das fianças bancárias que garantem a totalidade da dívida de responsabilidade da Americanas junto ao Banco.

Em nota, o banco disse que, após o pagamento das fianças, não terá mais exposição à rede varejista. "Destaca-se ainda que esse procedimento é dirigido aos fiadores bancários, não atingindo o caixa das Americanas", disse.

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De acordo com documento obtido pelo GLOBO, o BNDES tinha dois contratos com a empresa. Um no valor de R$ 1,490 bilhão e outro de R$ 913 milhões. Ou seja, um total de R$ 2,403 bilhões.

Desses dois contratos, o total desembolsado pelo banco para a varejista foi de R$ 1,17 bilhão, segundo informações no site do BNDES. Parte desse valor já foi utilizado, mas o banco não informa o saldo devedor.

"Essas dívidas são decorrentes de duas operações ativas, o contrato nº 18.2.0148.1/ 2018 e o contrato nº 18.2.0080.1/2018, e a cobrança das fianças está prevista nas cláusulas contratuais vigentes", disse o banco.

A Americanas informou à Justiça que a lista de credores será divulgada pela empresa no dia 25 de janeiro, quarta-feira. O mercado e advogados ligados ao processo esperavam que a varejista apresentasse hoje a listagem de seus 16.300 credores. A varejista declarou em seu pedido de recuperação judicial que tem R$ 43 bilhões em dívidas.

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Com a entrada em recuperação judicial, a empresa fica com o caixa protegido da ação dos credores durante seis meses. Ela tem 60 dias para apresentar à Justiça um plano de reestruturação, que precisa ser aprovado pelos credores em assembleia.

Em conversas reservadas, credores já afirmaram que esperam uma proposta de desconto de dívida elevada, da ordem de 80% a 90%. Mas os bancos, alguns dos principais credores, já articulam recusar abatimentos desta magnitude.

Enquanto trabalha nos próximos passos de sua recuperação judicial, a Americanas deve enfrentar, em paralelo, ações no Brasil e no exterior de investidores que buscam reparação pelas "inconsistências contábeis" de R$ 20 bilhões nos balanços de 2022 e de anos anteriores.

Na noite de domingo, os acionistas de referência da empresa - Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira - divulgaram nota pública em que negam saber da manobra contábil nos balanços, dizem esperar obter um acordo com os credores e se comprometem a trabalhar pela recuperação da empresa.