Crise da Americanas: lista de credores será divulgada na quarta-feira

A Americanas informou à Justiça que a lista de credores será divulgada pela empresa no dia 25 de janeiro, quarta-feira. O mercado e advogados ligados ao processo esperavam que a varejista apresentasse hoje a listagem de seus 16.300 credores. A varejista declarou em seu pedido de recuperação judicial que tem R$ 43 bilhões em dívidas.

Em petição à Justiça, a varejista explicou que a decisão que aceitou o pedido de recuperação judicial foi proferida na última quinta-feira, às 17h23min. A intimação foi expedida no dia seguinte e a "leitura" foi realizada pela Americanas no sábado às 18h31, destacou a companhia.

Com isso, a varejista informou que "o término do prazo de 48 (quarenta e oito) horas, por sua vez, seria às 6 (seis) horas de quarta-feira". Mas acrescenta que, "em uma contagem mais conservadora", o prazo poderia acabar meia noite de quarta-feira.

Mas a varejista pondera que, caso a Justiça, não entenda dessa forma, pediu "a concessão de um prazo adicional de 48 (quarenta e oito) horas, o que não implica em quaisquer prejuízos aos credores".

Caixa protegido por seis meses

Com a entrada em recuperação judicial, a empresa fica com o caixa protegido da ação dos credores durante seis meses. Ela tem 60 dias para apresentar à Justiça um plano de reestruturação, que precisa ser aprovado pelos credores em assembleia.

Em conversas reservadas, credores já afirmaram que esperam uma proposta de desconto de dívida elevada, da ordem de 80% a 90%. Mas os bancos, alguns dos principais credores, já articulam recusar abatimentos desta magnitude.

Enquanto trabalha nos próximos passos de sua recuperação judicial, a Americanas deve enfrentar, em paralelo, ações no Brasil e no exterior de investidores que buscam reparação pelas "inconsistências contábeis" de R$ 20 bilhões nos balanços de 2022 e de anos anteriores.

Na noite de domingo, os acionistas de referência da empresa - Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira -divulgaram nota pública em que negam saber da manobra contábil nos balanços, dizem esperar obter um acordo com os credores e se comprometem a trabalhar pela recuperação da empresa.