Com crise dos trabalhistas, Rutte busca novos aliados para formar governo

Haia, 17 mar (EFE).- O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, terá que fazer cálculos para conseguir as 76 cadeiras necessárias no parlamento para formar uma coalizão do governo, devido à grande derrota de seu principal aliado nas eleições da última quarta-feira, o Partido do Trabalho (PvdA).

O ministro da Saúde, Edith Schippers, deve começar as primeiras rodadas de contatos com os possíveis novos aliados. Membro do Partido Popular pela Liberdade e Democracia (VDD) assim como o primeiro-ministro, ele recebeu a tarefa de iniciar os diálogos para uma futura coalizão de governo. Alguns líderes de partido já se reunirão com Schippers na segunda-feira, e um relatório sobre as negociações deve ser apresentado a Rutte dois dias depois.

Membros do VDD apostam cada vez mais na formação de uma coalizão de centro-direita, que seria firmada a partir da aliança entre o VDD, o Apelo Democrata-Cristão (CDA) e os liberais progressistas do Democratas 66. No entanto, um quarto partido será necessário.

A União Democrata-Cristã, com cinco cadeiras no parlamento, é uma das opções para conseguir os 76 deputados necessários para o novo governo ter maioria parlamentar.

A Esquerda Verde (GL), que obteve 14 cadeiras - dez a mais do que nas eleições de 2012 -, seria o aliado perfeito para garantir uma coalizão com maioria no parlamento e no Senado.

No entanto, a presença de um único partido de esquerda na coalizão provoca temores entre os líderes do GL. Eles temem sofrer um golpe como o sofrido pelo PvdA, que foi punido nas urnas por apoiar as medidas de austeridade de Rutte na última legislatura.

O ultradireitista Geert Wilders é o único que claramente não fará parte desta coalizão, já que todos os líderes políticos se negam a negociar com ele. Após os resultados da eleição, ele disse que "merece" um lugar no governo porque seu partido foi o segundo mais votado no pleito, obtendo 20 cadeiras parlamentares.

Antes principal aliado de Rutte, o PvdA vive uma grande crise interna depois de perder 29 cadeiras no parlamento.

"Certamente há algo errado em nosso partido, deveremos usar o tempo e não recorrer a uma solução rápida", disse o ministro do Interior da Holanda, o social-democrata Ronald Plasterk, sobre o que poderia ser uma mensagem também sobre o próximo governo.

Depois da grande derrota nas eleições, os líderes do PvdA anunciaram que vão iniciar um processo de restruturação e diálogo nos próximos meses para debater o que ocorreu no partido.

"Estou há muito tempo no Partido do Trabalho e nunca experimentei essa situação", disse o ministro das Relações Exteriores, Bert Koenders, uma das lideranças da legenda.

Diante da incerteza e das trocas de acusações entre correligionários, Koenders pediu que todos deixem as críticas de lado para manter a unidade do partido até encontrar uma solução.

Os dois ministros pediram que os membros do PvdA não busquem culpados, mas que façam um exercício de autocrítica para reformular o partido e enfrentar a derrota histórica no pleito.

No entanto, algumas vozes do partido, como o prefeito de Roterdã, Ahmed Aboutaleb, consideram que o ex-líder Diederik Samsom e o atual secretário-geral, Lodewijk Asscher, são responsáveis pelo resultados e pela má imagem do PvdA entre os eleitores.

A ministra de Cooperação Internacional, Lilianne Ploumen, pediu que a crise seja abordada de forma conjunta e afirmou que não vai pedir a renúncia imediata do presidente do PvdA, Hans Spekman.

Uma reunião dos membros do partido está marcada para amanhã em Utrecht, no sul de Amsterdã, para discutir os resultados das eleições parlamentares, nas quais o partido caiu de 38 para nove cadeiras.

Os que não comparecerem ao encontro poderão votar através de seus telefones celulares nas diversas moções que serão avaliadas, como a possível renúncia de Spekman.

O PvdA também votará a proposta de não se unir ao novo governo. Caso aceite uma nova coalizão com o VDD, ela devera ocorrer sob condições muito específicas, e em consulta com a Esquerda Verde ou o Partido Socialista, grupos mais à esquerda do que o PvdA. EFE