Crise econômica impede greve, diz líder dos caminhoneiros

Greve pode atrasar a recuperação econômica do Brasil, afirma Landim (REUTERS/Paulo Whitaker)
Greve pode atrasar a recuperação econômica do Brasil, afirma Landim (REUTERS/Paulo Whitaker)
  • Caminheiro tem responsabilidade social em abastecer a população, afirma Landim;

  • Sindicato do Espírito Santo é o único do país da categoria em greve;

  • Preço do diesel aumentou 52,53% nos últimos 12 meses.

Uma das principais lideranças da greve dos caminhoneiros de 2018, Wallace Landim, também conhecido como Chorão, afirmou que a situação econômica do país é o maior impedimento para que a categoria volte a realizar paralisações pelo país.

Atualmente o Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens do Espírito Santo (Sindicam-ES) é o único no país que deflagrou o movimento de greve contra o mais recente aumento no preço do diesel pela Petrobras.

Landim, que é presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), afirmou que o cenário de hoje é muito diferente do cenário de 2018 devido aos recuos econômicos provocados pelos "mais de dois anos de pandemia".

"Fazer uma grande paralisação nesse momento pode atrapalhar recuperação econômica do Brasil, que ainda é muito tímida. Os caminheiros brasileiros apoiam o bem-estar da sociedade", afirmou. Por conta disso, são necessárias "ações inteligentes para não prejudicarmos os mais vulneráveis e a classe média que são os que mais sofrem com os impactos da alta dos combustíveis e os que mais sofrerão com o desabastecimento dos supermercados e comércio de maneira geral."

Landim não poupou críticas ao preço do combustível

Apesar de se mostrar contrário a paralisações neste momento, Landim criticou os sucessivos aumentos do combustível pela Petrobras, o que classificou como uma "política predatória de aumento de preço do diesel". Só nos últimos 12 meses o diesel já acumula uma alta de 52,53%. Para o líder sindical, o crescimento dos lucros da petroleira é feito através "das custas do sofrimento da nossa categoria e de cada cidadão desse país".

Segundo Landim, a ANP vem se mostrando conivente com o aumento dos custos, ao invés de cumprir seu papel como agência regulatória.

"Aqui, cabe uma crítica especial à ANP que, como Agência Reguladora, está sendo omissa com a sociedade, vez que a função precípua de um órgão regulador é proteger o cidadão de externalidades negativas e condutas oportunistas e criminosas. O que a ANP tem feito? A resposta é: absolutamente nada! Parece que o setor está sendo regulado pela Petrobras, uma empresa que visa lucros e distribuição de dividendos cada vez maiores aos seus acionistas", argumentou Chorão.

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