Crise empurra taxistas para outras profissões

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Se antes muita gente trocava o emprego formal pelo volante de um táxi, a crise agravada pela pandemia tem forçado taxistas a trocar a praça por outras atividades, já que a pandemia afugentou os passageiros. O movimento, segundo o sindicato da categoria, caiu 60%. A situação, agravada pelos constantes aumentos de combustível, é considerada pior até que a chegada da concorrência dos carros por aplicativo, há cerca de 4 anos.

— A pandemia tirou os passageiros da rua. A maioria das empresas está com os funcionários em home office, e o comércio está fechando. O táxi é um reflexo da economia — conclui Alan Ramos, diretor do Sindicato dos Taxistas Autônomos do Rio.

Ele mesmo, há 13 anos, engavetou o diploma de Enfermagem por achar que ganharia mais dirigindo táxi. Hoje, só não muda de ramo por amor à profissão. Mas nem todos pensam assim. Dados do IplanRio mostram que dos 32 mil motoristas cadastrados no Táxi.Rio, apenas 12 mil estão ativos. O aplicativo foi uma solução da prefeitura para ajudar taxistas a enfrentarem a concorrência.

Parte dos outros 20 mil são idosos, que por serem grupo de risco para Covid não vão à rua. Os demais seriam motoristas auxiliares, que não estão suportando pagar diárias, em torno de R$ 70. E há os que simplesmente abandonaram a praça.

As dificuldades da profissão aceleraram um projeto antigo de Leonardo Almeida de Oliveira, de 36 anos. Depois de 14 como taxista, virou tatuador. O plano inicial era conciliar as duas atividades com a abertura de um estúdio de tatuagem na garagem de casa, em Anchieta. Mas ele concluiu que era melhor ficar só com a tatuagem. É que, como taxista, rodando ou não, começava o mês com uma dívida de R$ 2.400, incluindo o financiamento do carro e o aluguel da autonomia:

— Hoje não tenho mais essa dívida.Tenho um retorno menor, mas os gastos também são menores. Cheguei ao ponto (como taxista) de em alguns meses faturar só o suficiente para cobrir as despesas, trabalhando 12 horas por dia. É a pior fase que a categoria enfrenta.

Célio Pacheco, de 39 anos, decidiu trocar o táxi pela moto e hoje faz entregas. Como motoboy, trabalha menos e fatura mais. Não pensa voltar atrás:

— Meu arrependimento foi não ter tomado a decisão antes.

A crise fez com que mais da metade dos cerca de 3,4 mil profissionais beneficiados com a última concessão de autonomias, no ano passado, não conseguisse concluir o processo. Faltou dinheiro para arcar com o financiamento do veículo e até com a parte burocrática.

Depois de 20 anos trabalhando como taxista com a autonomia do tio, herdada do avô, Cristiano Cardoso, de 45, foi contemplado com sua própria permissão. Mas não conquistou a sonhada liberdade profissional:

— Por conta da pandemia, não consegui comprar o carro, mesmo com a prorrogação de prazo, que já venceu.

O próprio sindicato apelou à prefeitura, e foi atendido, no fim do ano passado, para que não reajustasse a tarifa em 6,8%, mantendo-a congelada há dois anos. Além da despesa com a aferição do relógio, em torno de R$ 200, o temor era que o aumento afugentasse mais a clientela.

Resolução publicada pela prefeitura na quarta, proibindo que a autonomia fosse passada adiante, mesmo com a morte do taxista, foi vista como uma ameaça que poderia decretar o fim da categoria. Ontem, no entanto, a decisão foi revogada.

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