Crise de energia no Brasil pode ter efeito na inflação e preço de alimentos, diz presidente do BC

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BRASÍLIA — O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, comentou sobre como a crise hídrica pode afetar a política monetária do país em evento promovido pelo Banco de Compensações Internacionais (Bank for International Settlements, o BIS), nesta quarta-feira (dia 2) pela manhã. Ele alertou sobre os riscos inerentes à questão da energia e sobre a pressão na inflação e no preço de alimentos.

A discussão sobre mudanças climáticas fez o banqueiro ponderar sobre as demandas que a sociedade tem feito para sair da crise, exigindo soluções que também contemplem sustentabilidade e inclusão social.

— No nosso caso (Brasil), é importante não só falar de clima, mas também dos aspectos sociais e de meio ambiente. Nós olhamos para isso e como isso afeta a política monetária – declarou durante painel.

E acrescentou:

— Nós temos todos esses choques, e isso está de volta ao Brasil porque agora nós estamos falando de uma crise de energia no Brasil de novo, porque não está chovendo o suficiente. E isso tem um efeito na inflação, no preço de alimentos, em tudo que fazemos.

A crise hídrica vem gerando alertas no governo. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afastou o risco de racionamento, mas pediu que o consumidor faça uso mais “racional” da energia.

Para o secretário de políticas econômicas, Adolfo Sachsida, o problema ressalta a necessidade de privatização da Eletrobras.

Já o secretário de Fazenda, Bruno Funchal, alertou para os riscos que essa crise pode representar para a retomada da economia e a repercussão na inflação.

O país está enfrentando a pior seca nas hidrelétricas da região Sudeste/Centro-Oeste em 91 anos, e o governo já se prepara para tomar medidas que garantam o suprimento de energia, como um leilão extra para a contratação de termelétricas que não fazem parte do sistema de fornecimento de energia elétrica do país.

O objetivo é garantir o suprimento de eletricidade e afastar qualquer risco de racionamento no segundo semestre. São estudadas medidas de restrição à navegação por hidrovias e uso de água para irrigação, para preservar os reservatórios.

Na última semana, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu aplicar a bandeira tarifária vermelha no segundo patamar, a mais alta desse mecanismo. Isso significa uma cobrança adicional de R$ 6,243 para cada 100 quilowatts-hora consumidos.

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