Crise ianomâmi: mais de mil indígenas foram resgatados

Mais de mil indígenas Yanomami com saúde debilitada ou em situação de vulnerabilidade foram resgatados pelas equipes de reforço enviadas pelo Ministério da Saúde, afirmou o secretário da Saúde Indígena, Weibe Tapeba, nesta terça-feira. Segundo ele, os principais problemas de saúde são desnutrição e malária.

As equipes foram enviadas pela pasta ao território no último dia 16 para auxiliar no cenário de desassistência sanitária. Em entrevista coletiva, Tapeba afirmou que os indígenas foram resgatados para “não morrer”. Eles foram encaminhados a unidades de saúde.

– O local que encontramos foi um cenário de guerra, e isso não é apenas modo de falar. A situação requer esforços. Por isso, é a emergência sanitária que vai permitir estratégias mais intensificadas e avaliação das ações articuladas – disse.

Weibe Tapeba também informou, em coletiva, que as estruturas dos hospitais de campanha prometidos para Boa Vista, a capital de Roraima, e Surucucu, região mais afetada pelo garimpo ilegal dentro da terra indígena, já começaram a ser instaladas, com ajuda da Força Aérea Brasileira.

Também junto à FAB, o secretário visitou três comunidades indígenas Yanomami que, segundo ele, estão tomadas pelo garimpo:

– Precisamos compreender que tem locais que nem chegamos a pousar por conta do garimpo, que ocupou a pista. Os garimpeiros invadiram as aldeias e as comunidades estão à mercê do crime organizado, que não se intimida nem com a presença da FAB.

Em uma semana, o único hospital infantil de Roraima recebeu 29 crianças doentes. Já a Casa Indígena (Casai) na capital do estado abrigava, nessa segunda, 583 pacientes, informou o coordenador do local, Raimundo Silva, ao GLOBO. No último dia 18, eram mais de 700.

Hospitais de campanha

Segundo a pasta, o novo hospital de campanha em Boa Vista terá uma equipe multidisciplinar, com militares médicos de várias especialidades, além de enfermeiros, farmacêuticos e técnicos de enfermagem. A estrutura terá aparelhos de raio-x e para ultrassonografias, farmácia e laboratório com capacidade de realizar exames básicos.

O hospital também terá leitos de internação para pacientes ambulatoriais e estabilização de pacientes com quadros graves que precisem de transferência para unidades de saúde mais complexas.

Reforço médico

O Ministério da Saúde decretou, na última sexta, estado de emergência na terra Yanomami. Os principais problemas envolvem malária, desnutrição e infecções respiratórias, que tiveram escalada de casos devido ao crescimento do garimpo ilegal nos últimos anos. No sábado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a Casai e, na segunda-feira, foi enviado um reforço de 12 profissionais de saúde, que, conforme o GLOBO apurou, se dividem entre Surucucu e Boa Vista.

A pasta também abriu um formulário recrutamento voluntário de profissionais, que na manhã de hoje já somava mais de 19 mil inscrições, e tenta adiantar a abertura de novo edital do Programa Mais Médicos para a região. A segunda iniciativa, no entanto, ainda está em fase de estudo de recursos.