Crise de mão de obra afeta serviços públicos de Portugal

A crise de mão de obra atinge os principais serviços públicos de Portugal: saúde e segurança e educação.

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As duas maiores cidades do país expuseram o problema nos últimos três dias. No Porto, a maior delegacia do centro, lotado de turistas, suspendeu temporariamente atendimento no sábado. O prefeito, Rui Moreira, declarou:

— O encerramento de uma delegacia contribui para um sentimento de insegurança e abandono da população. Sabemos que a Polícia de Segurança Pública (PSP) tem poucos elementos, mas parece de grande insensibilidade proceder a este encerramento

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Em Lisboa, o prefeito Carlos Moedas pediu com urgência ao governo que disponibilize mais policiais nas ruas da capital. Na madrugada de domingo, um homem foi assassinado no Parque das Nações durante uma briga. Segundo a imprensa portuguesa, a vítima seria brasileira, mas a PSP não confirmou.

— Nós temos um ativo único nesta cidade que é a segurança. E nós não podemos perder isso. (...) O meu pedido é que esses efetivos aumentem. Nós temos de dar mais condições às forças policiais, temos que pagar melhor às forças policiais e temos de ter mais efetivos nas forças policiais. Isso é a base de tudo — disse Moedas.

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O ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, prometeu reforço de policiais. E informou que os índices de criminalidade caíram. Ele argumentou que o problema seria de gestão, não de mão de obra, e defendeu o efetivo português, que teria de 442 policiais por 100 mil habitantes. Na Espanha, segundo ele, seriam 369 por 100 mil habitantes. Ainda de acordo com ele, novos cursos este ano formarão cerca de 1,9 mil policiais.

Sobre o caso específico do Porto, Carneiro justificou a suspensão temporária do atendimento com base em dados das baixas ocorrências diárias informadas pelo comando local. A decisão de encerrar a delegacia por algumas horas para privilegiar o patrulhamento em carros surpreendeu o prefeito.

— O ajuste do horário foi decisão operacional. Tratou-se da decisão de ter patrulhamento ou delegacia. A comandante achou preferível ter patrulhamento nas ruas, onde ocorrem os crimes — explicou Carneiro.

À agência Lusa, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia revelou que não foi realizado aumento de efetivo durante as reestruturações da PSP.

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A morte de uma mulher de 83 anos, que ficou mais de uma hora à espera de uma ambulância deitada em uma calçada de Lisboa na última semana, evidenciou a falta de pessoal e recursos no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM). O órgão tem 29 ambulâncias e todas estariam ocupadas.

O óbito da idosa, revelado pelo Jornal de Notícias, levou o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-hospitalar a denunciar a falta de 500 profissionais. Por isso, haveria atraso nas ações de socorro.

Segundo o sindicato contou ao Correio da Manhã, são necessários 1,4 mil técnicos e existem 900 em atividade. O salário de € 750 (R$ 4,1 mil) seria um dos motivos para o desinteresse no concurso de admissão para o INEM.

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O mesmo acontece no concurso de médicos especialistas para o Sistema Nacional de Saúde (SNS), que teria mais vagas do que recém-formados. No Parlamento, a ministra da Saúde, Marta Temido, admitiu a falta de médicos. Como parte da solução, quer formar e contratar médicos estrangeiros para fechar a conta. Há centenas de brasileiros à espera.

O fato é que a população sofrerá enquanto as lacunas estiverem abertas. Atendimentos especializados de emergência em várias cidades de Portugal estão fechados ou ficaram encerrados por alguns dias nas últimas semanas.

No caso mais grave que veio a público, uma grávida em trabalho de parto encontrou fechada a emergência obstétrica de Caldas da Rainha, centro do país. Teve complicações e perdeu o bebê. O hospital evitou relacionar o encerramento com a falta de pessoal.

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Em resposta aos questionamentos dos deputados portugueses, o Ministério da Saúde admitiu obstáculos nas escalas de emergência em Caldas da Rainha, mas considerou prematuro estabelecer ligação com a morte do bebê. O Ministério Público investiga.

Na educação, faltam professores nos ensinos básico e secundário. É um problema que deverá se agravar no próximo ano letivo devido ao aumento dos aposentados e redução de recém-contratados.

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