Polônia acusa Putin de estar por trás de crise migratória na fronteira com Belarus

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A Polônia enviou milhares de policiais e soldados à fronteira (AFP/Leonid Shcheglov)
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O primeiro-ministro da Polônia, Mateusz Morawiecki, acusou nesta terça-feira (9) o presidente russo Vladimir Putin de orquestrar o movimento de migrantes que tentam entrar ilegalmente na União Europeia (UE) a partir de Belarus.

O presidente bielorrusso, Alexander "Lukashenko é o executor deste ataque, mas ele está sendo organizado em Moscou, quem o está orquestrando é o presidente Putin", disse o chefe de governo polonês no Parlamento de seu país.

A afirmação de Morawiecki chega em um momento de aumento das tensões entre Varsóvia e Minsk, após a troca de acusações nesta terça-feira pela presença de milhares de migrantes na fronteira, que tentam entrar no território polonês.

Segundo a Polônia, isso representaria uma ameaça à segurança da União Europeia, enquanto Minsk, por outro lado, emitiu uma advertência contra o que chamou de "provocações" na fronteira, para onde os dois países mobilizaram soldados.

Milhares de pessoas, muitas delas fugindo da guerra e da pobreza no Oriente Médio, tentam sobreviver a céu aberto em condições muito difíceis e sob temperaturas gélidas.

A UE acusa Lukashenko de orquestrar a crise em represália pelas sanções ocidentais contra Minsk, o que ele nega.

Na segunda-feira (8), a Polônia bloqueou uma tentativa de milhares de migrantes de ultrapassarem o arame farpado da linha de fronteira.

Hoje, Morawiecki afirmou anteriormente no Twitter que Varsóvia continuaria impedindo a entrada dos migrantes.

"Fechar a fronteira polonesa é nosso interesse nacional. Mas agora é a estabilidade e a segurança de toda a União Europeia que estão em jogo", escreveu o chefe de governo polonês.

Por sua vez, o presidente do país, Andrzej Duda, acusou Belarus de "atacar a fronteira polonesa, a fronteira da UE, de uma forma sem precedentes".

Em resposta, o Ministério da Defesa de Belarus considerou a versão como "infundada e injustificada", ao mesmo tempo em que acusou a Polônia de aumentar "deliberadamente" as tensões.

Também afirmou que a Polônia mobilizou 10.000 militares na fronteira sem aviso prévio, o que foi classificado como uma violação dos acordos de segurança mútua.

"Queremos advertir de antemão à parte polonesa que evite qualquer provocação direcionada à República de Belarus para justificar o uso ilegal da força contra pessoas indefesas e desarmadas, incluindo crianças e mulheres", afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Belarus em um comunicado.

Em uma conversa por telefone, Lukashenko falou com Putin sobre a situação. E também disse que seu país não ficaria de joelhos diante da UE.

"Não queremos briga. Não estou louco, entendo perfeitamente onde tudo isto pode levar [...] Sabemos bem qual é o nosso lugar, mas tampouco ficaremos de joelhos", disse Lukashenko, de acordo com trechos da conversa divulgados pela agência estatal Belta.

O Kremlin, por sua vez, afirmou que "observa de perto" o confronto migratório na fronteira leste da UE e ainda não reagiu às acusações feitas pelo primeiro-ministro polonês contra Putin.

Em um cenário de crise, Estados Unidos e UE pediram a Belarus para deter o que chamaram de "fluxo orquestrado de migrantes".

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também acusou Minsk de usar os migrantes como peões políticos, enquanto a UE pediu novas sanções contra o regime bielorrusso.

- Bloqueados -

Muitos migrantes que desejam entrar na Polônia fogem de conflitos e da pobreza em países do Oriente Médio.

Eles afirmam que estão bloqueados: Belarus impede o retorno a Minsk para uma viagem de retorno a seus países, enquanto a Polônia não permite a entrada para a solicitação de asilo.

"De acordo com nossos cálculos, pode haver entre 12.000 e 15.000 migrantes em Belarus", disse o porta-voz dos serviços especiais da Polônia, Stanislaw Zaryn.

Quase 4.000 estariam na área de Kuznica, perto da fronteira com a Polônia. Os jornalistas estão proibidos de entrar na área, mas imagens divulgadas pelas autoridades dos dois países mostram centenas de homens, mulheres e crianças ao redor de fogueiras para enfrentar o frio.

De acordo com os guardas de fronteira bielorrussos, os migrantes estão em uma condição física e psicológica "extremamente ruim" e precisam de comida e água.

Além disso, eles acusam as forças polonesas de usar gás lacrimogêneo e exercer "pressão psicológica" sobre os migrantes "com o uso de alto-falantes, holofotes e luzes estroboscópicas a noite toda". "Tiros também foram ouvidos", afirmaram.

A agência bielorrussa Belta informou que há por volta de 3.000 pessoas em um acampamento perto da fronteira.

O porta-voz do governo polonês, Piotr Muller, advertiu na segunda-feira que "pode acontecer uma escalada deste tipo de ação na fronteira em um futuro próximo".

Porém, o ministro bielorrusso do Interior, Ivan Kubrakov, afirmou que os migrantes estão "legalmente" na ex-república soviética e que "até agora não aconteceu violação da lei por parte dos migrantes".

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