Crise na CBF: Caboclo promete a Bolsonaro demissão de Tite e contratação de Renato Gaúcho

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A relação do técnico da seleção brasileira,Tite, com o presidente da CBF, Rogério Caboclo, já vinha estremecida antes da crise gerada pela transferência da Copa América para o Brasil. A posição contrária do treinador e dos jogadores à realização do evento piorou o relacionamento e trouxe à tona um novo personagem contra o comandante do time: o presidente Jair Bolsonaro. De acordo com o jornalista do SporTV André Rizek, Caboclo prometeu ao governo federal que a seleção terá um novo técnico após o jogo contra o Paraguai, na terça-feira, pelas eliminatórias da Copa do Qatar. A informação também foi dada pelo jornal espanhol 'As' e o nome em voga é o de Renato Gaúcho.

O treinador está sem clube desde que deixou o Grêmio, em abril, e já manifestou diversas vezes seu desejo de treinar o Brasil. Ele agrada por estar alinhado politicamente ao bolsonarismo. Inclusive, em abril do ano passado, ele assessorou, informalmente, o presidente na retomada do futebol brasileiro durante a pandemia. Na ocasião, o treinador disse não ser o momento ideal para voltar aos jogos.

Como o 'As' destacou, a Copa América é uma "questão de honra" para o presidente. No sábado, ele ratificou o apoio ao evento em reunião com a Conmebol, que não contou com a presença dos capitães das seleções. Para Bolsonaro, a competição pode ser politicamente favorável ao governo, caso tudo ocorra bem e a seleção brasileira, uma das favoritas, seja campeã. Ainda seria uma resposta ao governo da Argentina, antagonista ao Brasil, que desistiu de sediar o torneio.

Porém, a entidade não contava com o motim dos jogadores da seleção – outras equipes também foram contrárias à Copa América no momento da pandemia na América do Sul – e o apoio a Tite. Há informações de que após o jogo de terça-feira, eles devem se posicionar oficialmente contrários ao evento, porém decidirão jogá-la.

Uma outra peça, no entanto, entrou no jogo político que acontece na CBF e pode refletir na promessa a Bolsonaro. A acusação de assédio moral e sexual feita por uma funcionária da confederação contra Caboclo não permite garantias de que o mandatário terá ingerência sobre a seleção até terça-feira. Inclusive, a demissão de Tite estaria prevista para antes da partida com o Equador, mas o fato novo acabou com os planos do dirigente.

Conforme publicou o colunista do GLOBO Lauro Jardim, uma reunião extraordinária com os oito vice-presidentes da CBF na segunda-feira, na sede da entidade no Rio. Caboclo ainda tenta sobreviver politicamente, mas a maioria da direção defende o afastamento por tempo indeterminado do mandatário.

A possível interferência de Bolsonaro na CBF, um entidade privada, também pode prejudicar o Brasil junto à Fifa. Esse tipo de atitude política cabe sanção de acordo com o código da principal entidade do futebol mundial. Procurada, a Fifa ainda não se pronunciou.