Multiplicam-se as demissões mas Boris fica

A vaga de demissões no governo britânico não pára de aumentar - já vai em cerca de duas dezenas - mas Boris Johnson faz finca-pé e não sai de Downing Street. Vários secretários de Estado, incluindo Interior, Educação e Ambiente, saíram do executivo, um dia depois do abandono dos ministros das Finanças e Saúde.

É precisamente quando as coisas se complicam que um governo tem de continuar a funcionar, não é o momento de ir embora

Quase todos evocam diretamente a falta de integridade no topo do governo e a brecha provocada pela quebra de confiança em Johnson, que ameaça toda a cúpula do poder.

Talvez este seja o primeiro caso em que os navios afundados é que abandonam o rato

Perante a tempestade de críticas e apelos à demissão e a eleições antecipadas, o primeiro-ministro veio à Câmara dos Comuns dizer que não, não se afasta e nomeou novos responsáveis para as pastas deixadas órfãs.

"É precisamente quando as coisas se complicam - quando o país é pressionado economicamente, quando vivemos a maior guerra na Europa desde há 80 anos -, é precisamente nestas alturas que um governo tem de continuar a funcionar, não é o momento de ir embora. Temos de prosseguir com o nosso trabalho e focarmo-nos naquilo que interessa às pessoas deste país", declarou Johnson, na Câmara dos Comuns.

A oposição trabalhista, que anuncia o colapso iminente do governo, não condena apenas Johnson mas todos aqueles que insistiram em ficar ao seu lado nos últimos meses.

"Foi a mesma coisa quando abusaram do dinheiro dos contribuintes, foi a mesma coisa quando ele e os amigos andaram em festas durante a pandemia. Mesmo saindo agora, defenderam isso tudo, não têm um pingo de integridade. Talvez este seja o primeiro caso em que os navios afundados é que abandonam o rato", afirmou Keir Starmer, o líder trabalhista.

A série de escândalos culminou agora na alegada proteção a Chris Pincher, um responsável conservador acusado sucessivamente de assédios sexuais. Downing Street dizia que Johnson não estava a par das acusações, mas acabou por assumir que estava.

O efeito dominó de demissões começou esta terça-feira, com dois nomes fulcrais - Rishi Sunak, ministro das Finanças, e Sajid Javid, na Saúde - a saírem em rota de colisão direta com Johnson.

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