Crise do petróleo cria tempestade perfeita para economia brasileira

Gustavo Paul

Ao dizer que a equipe econômica está “absolutamente tranquila” quanto à sua capacidade de enfrentar a crise, o ministro da Economia, Paulo Guedes, cumpre uma das prerrogativas do cargo, que é evitar o pânico, demonstrar otimismo e tocar o barco. Mas este 9 de março deverá ser lembrado como o dia em que uma tempestade perfeita se abateu sobre a economia brasileira, colocando à prova a experiência do ministro e seu time.

O caos que se seguiu à súbita guerra de preços entre Arábia Saudita e Rússia se soma a outros obstáculos no caminho do Ministério da Economia. Guedes terminou desgastado pelos números acanhados do crescimento do PIB em 2019. Irá rever para baixo na quarta-feira as projeções para 2020. O percentual vai cair de 2,4% para cerca de 2%. Terá de se empenhar para manter a economia nessa velocidade e justificar por que o receituário liberal, com a reforma da Previdência, a liberação de recursos do FGTS, os cortes de despesas públicas e os juros baixos não foram suficientes para impulsionar a atividade econômica e reduzir a informalidade do emprego.

Como pregar que a aprovação das reformas é a chave para virar o jogo, o ministro tem pela frente um Congresso hostil, principalmente depois que o presidente Jair Bolsonaro convocou a população para manifestações. Líderes partidários já prometem para depois retaliações ao governo, o que pode atrasar a tramitação dos projetos. Parte das reformas enviadas em 2019 está sob ataque e tramita lentamente.

Até o Banco Central pode gerar turbulência. Já existe o cenário de o país ter juros negativos, se o BC reduzir a taxa básica na reunião da semana que vem, o que poderá levar a maior depreciação do real. O dólar alto tende a impactar os preços.

Não bastasse tudo isso, o novo coronavírus ainda ameaça desabastecimento de componentes para a indústria, puxando a economia para baixo.