Crise política aumenta tensão na capital da Somália

·2 min de leitura
(Arquivo) Premiê somali, Mohamed Hussein Roble, em Mogadíscio, em 23 de setembro de 2020 (AFP/STRINGER)

As autoridades somalis posicionaram, nesta terça-feira (28), militares fortemente armados no centro da capital do país, Mogadíscio, em meio a uma nova crise política.

Soldados leais ao primeiro-ministro, Mohamed Hussein Roble, tomaram posições em torno do palácio presidencial, um dia depois de o presidente, Mohamed Abdullahi Mohamed, conhecido como Farmajo, anunciar sua destituição.

"Os soldados não estão longe dos principais pontos de controle que cercam o palácio presidencial, equipados com metralhadoras pesadas e lança-foguetes", relatou Saido Mumin, um morador do bairro presidencial, em conversa com a AFP nesta terça.

A disputa entre o presidente e seu primeiro-ministro começou há vários meses, mas se intensificou nos últimos dias.

No sábado (25), Farmajo retirou de primeiro-ministro a missão de organizar as eleições - esperadas desde o início do ano - e, na segunda-feira (27), "suspendeu-o" de suas funções, acusando-o de estar envolvido em um caso de corrupção.

"O presidente decidiu suspender o primeiro-ministro Mohamed Hussein Roble e retirar seus poderes porque ele está vinculado a [casos de] corrupção", afirmou, em nota, o gabinete da presidência, que acusa o chefe de Governo de interferir na investigação de um caso de apropriação de terras.

Roble reagiu, acusando o presidente, ontem, de querer cometer "um golpe de Estado contra o governo, a Constituição e as leis do país".

"Como o presidente aparentemente decidiu destruir as instituições governamentais [...] ordeno que todas as forças nacionais da Somália trabalhem sob a liderança do gabinete do primeiro-ministro a partir de hoje", disse Roble durante uma entrevista coletiva de seu gabinete, onde conseguiu entrar apesar da forte presença militar na parte externa do edifício.

"O primeiro-ministro está decidido a não ser dissuadido por ninguém no cumprimento de seus deveres nacionais, com o objetivo de liderar o país rumo a eleições que abrirão o caminho para uma transferência pacífica de poder", afirma um comunicado divulgado pelo gabinete de Roble.

Enquanto isso, os aliados da Somália - a missão da ONU neste país, os Estados Unidos, a União Europeia e as Nações Unidas - divulgaram um comunicado conjunto na noite de segunda-feira, no qual manifestaram sua "profunda preocupação".

Presidente desde 2017, Farmajo viu seu mandato expirar em 8 de fevereiro, sem conseguir chegar a um entendimento com as lideranças regionais para a organização de eleições.

A Somália não realiza eleições diretas há 50 anos e tem um sistema indireto complexo. A organização das eleições foi afetada nos últimos meses por várias circunstâncias.

Em abril, combatentes pró-governo e opositores trocaram tiros nas ruas de Mogadíscio, depois que Farmajo ampliou por dois anos seu período de governo, sem organizar eleições.

A crise constitucional foi aplacada quando Farmajo recuou na decisão e Roble negociou um calendário eleitoral.

Mas, nos meses seguintes, a rivalidade entre os dois políticos afetou novamente a votação.

str/amu/md/jhd/jvb/mar/tt

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos